4 detidos e mais 23 pessoas resgatadas dos escombros

O número de mortos no desabamento de um edifício no Bangladesh subiu hoje para 341, num dia em que mais 23 pessoas foram retiradas com vida dos escombros e quatro pessoas foram detidas por alegadas responsabilidades na tragédia.

As 23 pessoas foram resgatadas hoje de manhã das ruínas do edifício de oito andares, que desabou às 9:00 de quarta-feira quando milhares de trabalhadores produziam peças de roupa para conhecidas marcas ocidentais.

Os socorristas temem no entanto que a sua tarefa comece a ficar cada vez mais difícil, à medida que os sobreviventes começam a ficar demasiado fracos para gritar por ajuda.

Akram Hossain, vice-diretor do serviço de bombeiros, disse à AFP que ainda há sobreviventes presos em bolsas nos escombros do edifício, mas que as suas hipóteses estão "a diminuir ao minuto".

Hoje foi também anunciada a detenção de dois administradores de fábricas que operavam no edifício e dois engenheiros que alegadamente têm responsabilidades na tragédia, depois de a primeira-ministra, Sheikh Hasina, ter prometido que os culpados do desastre seriam apanhados.

Bazlus Samad, presidente das fábricas New Wave Buttons e New Wave Style, e Mahmudur Rahaman Tapash, um diretor executivo, foram detidos pouco após a meia-noite, segundo informou o vice-chefe da polícia Shyaml Mukherjee, citado pela AFP.

A polícia tinha-lhes instaurado um processo por "homicídio por negligência", disse Mukherjee.

O proprietário do edifício ainda não foi encontrado, acrescentou.

O inspetor Kaiser Matubbor disse à AFP que dois engenheiros municipais que na véspera do desabamento à noite tinham feito uma inspeção ao edifício, autorizando a sua utilização, foram também detidos e serão sujeitos às mesmas acusações.

Os sobreviventes contam que na terça-feira eram visíveis rachas visíveis no edifício, mas os patrões ordenaram aos funcionários que voltassem ao trabalho.

Cinco fábricas operavam no prédio de oito andares em Savar, nos arredores de Dacca.

Com muitas das 4.500 fábricas fechadas devido a protestos, os patrões decidiram declarar feriado o dia de hoje e os sindicatos convocaram uma greve para domingo.

Muitos milhares de trabalhadores da indústria têxtil manifestaram-se hoje perto do local do desastre, mas foram dispersados pela polícia, que disparou balas de borracha e gás lacrimogéneo.

O Bangladesh é o segundo maior produtor de roupa e a indústria têxtil é a base da economia do país. No entanto, tem índices de segurança chocantes e já em novembro 111 pessoas morreram num incêndio numa fábrica.

A britânica Primark e a espanhola Mango já admitiram vender roupa produzida nas fábricas instaladas no edifício que ruiu, enquanto outras marcas internacionais, como a Walmart, continuam a investigar.

O acidente levou a novas acusações por parte de ativistas de que as multinacionais ocidentais colocam os lucros à frente da segurança ao produzirem os seus produtos em países onde os trabalhadores ganham menos de 40 dólares por mês,

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou na sexta-feira um apelo às autoridades do Bangladesh e aos parceiros sociais do país para que ajudem a criar "locais de trabalho seguros".

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