16 Países asiáticos querem reforçar influência internacional

Os dirigentes de 16 países asiáticos reúnem-se a partir de sexta-feira na Tailândia, tencionando apoiar-se na recuperação económica regional para reforçar a capacidade regional de gestão de crises e a influência nas negociações internacionais.

Os chefes de Estado e de governo da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e os homólogos da China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Nova Zelândia e Austrália tencionam debater e atenuar designadamente as barreiras comerciais e financeiras que entravam as políticas de relançamento económico.

"A crise financeira mundial provocou a erosão da influência das potências americana e europeia. Mas a Ásia não se pode afirmar se ficar fragmentada", afirmou um diplomata do sudeste asiático.

A criação de uma comunidade económica no seio da ASEAN até 2015 é um dos grandes objectivos do bloco regional, que poderia dar vida a um mercado de quase 600 milhões de pessoas.

A ASEAN - que agrupa a Birmânia, o Brunei, o Cambodja, a Indonésia, o Laos, a Malásia, as Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname - deverá também continuar as negociações para uma zona de livre-comércio com a China, o Japão e a Coreia do Sul.

"A ASEAN está a progredir para se tornar uma comunidade regional em 2015", assegurou o secretário geral do bloco regional, Surin Pitsuwan, sublinhando o aumento brutal das trocas regionais.

Nos últimos dez anos, as exportações do bloco regional triplicaram ao atingirem 1,7 biliões de dólares (1,13 biliões de euros), as trocas comerciais no seio da ASEAN quadriplicaram e o comércio entre a ASEAN e a China decuplicou.

Através do desenvolvimento da integração regional, incluindo as infra-estruturas de transporte e a circulação de informação, "a ASEAN será não somente ligada à China e à Índia, mas também ligará a China e a Índia entre si", defendeu quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros de Singapura, George Yeo.

No início de Outubro, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick tinha considerado que a China e a Índia eram a partir de agora sólidos motores para o crescimento mundial, menos unilateralmente dependente da economia norte-americana.

A cimeira, que começa sexta-feira na estância balnear de Hua Hin e termina domingo, deverá decorrer num ambiente de certo optimismo económico regional.

Entretanto, Hua Hin, 200 quilómetros a Sul de Banguecoque, está há já alguns dias sob medidas de alta segurança, com os dirigentes asiáticos ainda a recordarem o fiasco de Abril último quando tiveram de ser retirados de urgência da cidade de Pattaya, perto de Banguecoque, pressionados pelos "camisas vermelhas" favoráveis ao ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra.

Seis meses antes, a mesma cimeira tinha sido adiada devido à pressão dos "camisas amarelas", defensores do rei, que tinham bloqueado os aeroportos da capital tailandesa.

A Tailândia montou uma das maiores operações de segurança na história recente, ao destacar mais de 36 mil militares e polícias, para prevenir que manifestantes contra o governo boicotem a cimeira de Hua Hin.

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