Após 27 anos, Burkina Faso disse basta a Compaoré

Manifestantes levaram a melhor: Blaise Compaoré, presidente do Burkina Faso, nos últimos 27 anos, deixou ontem o poder.

Parlamento incendiado, televisão estatal invadida por manifestantes, violência em várias zonas do país e apelos à demissão do presidente: o Burkina Faso disse basta. Milhares de pessoas saíram às ruas nos últimos dias para pedir a demissão de Blaise Compaoré, o presidente que estava há 27 anos no poder. Estava, porque ontem viu-se obrigado a anunciar que renunciava. E a dirigir-se para a fronteira com o Gana.

A vaga de indignação começou quando o chefe do Estado deste país do Sahel quis passar uma reforma constitucional que lhe permitiria ser novamente candidato às presidenciais de 2015, podendo ficar mais cinco anos no poder. Uns falam em "primavera negra" (ao estilo da "primavera árabe"), outros questionam-se se houve ou não um golpe de Estado.

"Cumprimos a nossa missão: o grande embondeiro caiu, fulminado pela população", exultava ontem, falando à AFP, Jacques Zongo, um funcionário de 33 anos, usando na cabeça um chapéu com as cores da bandeira do Burkina Faso: verde, vermelho e amarelo. No meio da confusão, a presidência do país africano de 13 milhões de habitantes foi assumida interinamente pelo chefe do estado maior das Forças Armadas. O general Nabéré Honoré Traoré prometeu "agir em conformidade" com a Constituição do Burkina Faso e "proceder, sem demoras, a consultas com todas as forças vivas da nação para que haja um regresso à vida constitucional normal". Mas algumas pessoas que se manifestaram para pedir ajuda aos militares, não revelam grande entusiasmo com o presidente interino. "Traoré é um homem de Compaoré", denunciou, à AFP, o militante da oposição Monou Tapsoaba.

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