Antigo chefe de serviços secretos israelitas acusa Netanyahu de fracasso na questão do nuclear iraniano

Antigo responsável de serviços secretos israelitas considera que primeiro-ministro falhou na sua estratégia de conter o programa nuclear do regime de Teerão.

O ex-chefe da espionagem israelita, Yuval Diskin, afirmou hoje que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teve uma política "falhada" para o Irão, cujo programa nuclear avançou durante o seu mandato.

"Chegou a altura de abrir os olhos para a pose e a retórica de Netanyahu", acusou Diskin, cujas declarações foram publicadas na edição digital do Yediot Aharonot, no qual argumentou que, "até de acordo com o Google, está claro que Netanyahu fracassou".

Desde que Netanyahu regressou ao poder em 2009, "há seis vezes mais centrifugadoras, 12 vezes mais urânio enriquecido, reatores de água pesada para plutónio e urânio enriquecido a 20%", pormenorizou o antigo diretor do serviço de informações Shin Bet, com acesso a documentação classificada.

"Tudo acelerou durante o seu tempo como primeiro-ministro. O discurso foi apenas uma cortina de fumo para os seus fracassos", disse Diskinó, referindo-se à intervenção feita pelo chefe do governo israelita no Congresso dos EUA.

Nesta intervenção, Netanyahu referiu-se ao programa nuclear iraniano e exprimiu a sua posição sobre as negociações que o designado Grupo 5 + 1 desenvolve com o Irão. Aquele grupo é integrado pelos cinco membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, mais a Alemanha.

O discurso provocou uma forte polémica, desde que foi anunciado, uma vez que Netanyahu foi convidado diretamente pelo presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, sem contar com o presidente dos EUA, Barack Obama, até depois de ter acabado.

A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, classificou-o mesmo como "um insulto à inteligência dos EUA".

E ao regressar ao seu país, Netanyahu foi recebido com críticas, que o acusaram de ter comprometido os seus laços com o principal aliado histórico, na sua busca de votos para as eleições gerais de 17 de março.

Diskin disse também que o antigo chefe do serviço de informações externas israelita, Meir Dagan, "não está enganado", depois de este ter afirmado que Israel provocou graves danos estratégicos na sua luta contra o Irão e realçado que "Netanyahu fracassou massivamente em relação ao programa nuclear iraniano".

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