Antes do Google, a quem se perguntava o nome do cavalo de Napoleão?

As pessoas telefonavam para a Biblioteca Pública de Nova Iorque com todo o tipo de questões, como "Se uma cobra venenosa se morder a si própria, morre?"

Antes da Internet e dos motores de busca, a quem é que podia perguntar qual o tempo de vida de uma pestana humana? Podia telefonar para a biblioteca. Era isto que queria saber um utente da Biblioteca Pública de Nova Iorque em 1946, que obteve a resposta: "Baseando-nos no livro Your Hair & Its Care, 150 dias".

Em dezembro, os bibliotecários da Biblioteca Pública de Nova Iorque (NYPL, na sigla inglesa) encontraram uma caixa cheia de perguntas que os seus utentes colocaram entre os anos 40 e os anos 80. Antes do Google, as pessoas telefonavam para a biblioteca com perguntas que iam desde questões práticas ("Onde é que posso alugar um cão para caçar?") a outras mais absurdas ("O que é que significa quando se sonha que se está a ser perseguido por um elefante?").

Desde que a caixa foi descoberta que a NYPL tem colocado fotografias dos pequenos cartões, escritos à mão ou a máquina de escrever, nas suas redes sociais, desde o Instagram ao Twitter.

"Encontrámos uma velha caixa de receitas quando estávamos a arrumar uma secretária, que dizia 'Questões Interessantes de Referência'," conta a NYPL na primeira publicação. "Num mundo antes do Google, os bibliotecários não eram só a Wikipédia, eram também o Craigslist, o Pinterest, o Etsy e o Instagram num só".

"Têm alguma estatística sobre a esperança média de vida da mulher abandonada?" perguntava uma utente em 1963. Outra, quatro anos depois no dia de ano novo, queria saber: "Se se conhecer um homem e se souber que ele tem 27 milhões de dólares - porque foi o que me disseram, 27 milhões - e se souber a nacionalidade, como é que se descobre o nome dele?"

A porta-voz da NYPL, Angela Montefinise, contou à rádio norte-americana NPR que a Biblioteca era "o Google antes de o Google existir. Se quisesse saber se uma cobra venenosa morre se se morder a si própria, telefonavas ou passavas aqui". E perante a incredulidade do jornalista da NPR, acrescentou: "Sim, perguntaram mesmo isso".

"Como é que eu colo papel de parede?" lê-se numa questão manuscrita. "Tenho o papel, tenho a cola. O que faço a seguir? A cola é para o papel ou para a parede? Já tentei das duas maneiras mas não funciona".

"Como se chamava o cavalo de Napoleão?", perguntava um utente. Um outro cartão mostra a conversa que o utente teve com o bibliotecário de serviço, em 1963: "Podia dizer-me qual a grossura de um selo, já com a cola? Resposta: Não conseguimos responder depressa, por que não liga para os correios? Reação: Daqui fala dos correios".

Segundo Angela Montefinise, as pessoas continuam a telefonar para a biblioteca com perguntas, mas hoje também mandam e-mails e mensagens de chat. "Recebemos por volta de 1700 questões por mês", afirmou à NPR.

As questões são de etiqueta ou de história, de quem procura informações práticas e de quem tem dúvidas mais sérias. Mas, como destaca a colunista do portal artístico Hyperallegic, as perguntas, "vistas em conjunto, são um testemunho do que poderá ser um dos maiores atributos da humanidade: a nossa insaciável curiosidade".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG