Ambulância transportou mais sete pessoas depois da doente com ébola

Um dos homens que transportou Teresa Romero até ao hospital de Alcorcón alertou que a ambulância não foi logo desinfetada. Só depois de confirmado o caso é que foi ordenado a limpeza. Médico que tratou a auxiliar de enfermagem quando esta foi internada diz que as mangas do fato que utilizou estavam curtas.

Os relatos de falhas de segurança no tratamento da mulher com ébola sucedem-se em Espanha. O El País escreve que um dos dois homens que estava na ambulância que transportou a auxiliar de enfermagem até ao hospital de Alcorcón - quando ainda não se sabia que estava infetada - alertou as autoridades de saúde que o veículo só foi desinfetado 12 horas depois, quando foram confirmados os resultados positivos dos dois testes.

A empresa de ambulância Safe Eurolimp foi contactada às sete de amanhã para o transporte de urgência de uma mulher. Existem dois tipos de ambulância: uma convencional e uma preparada para doenças infecciosas. Como não havia qualquer informação sobre o risco da mulher ter ébola, foi enviada numa convencional. Foi solicitada mais informação, mas a resposta do centro de coordenação de urgências de saúde espanhol, adiantou apenas que a mulher estava febril e tinha sido vista por um médico. Este afastou a hipótese de ser ébola (o sinal de alarme é quando a febre atinge os 38,6 graus e a da mulher passava pouco dos 37).

Ao chegar ao local, o condutor ficou na ambulância, enquanto o outro homem foi buscar Teresa Romero equipado apenas com luvas, máscara e uma bata de papel. Ao entrar em casa, o homem foi informado pela mulher que ela tinha tratado um dos infetados com ébola que foram repatriados de África para Espanha. O El País explica que, assustado, o homem alertou o centro coordenador, mas as ordens foram para transportar a doente para o hospital de Alcorcón.

Os homens voltaram a contactar o hospital, que lhes indicou que se tivessem mais informações falariam com eles. Doze horas depois o primeiro caso de contágio de ébola fora de África foi confirmado, mas entretanto a ambulância transportou mais sete pessoas, enquanto os dois homens que transportaram Teresa Romero foram mandados para casa, devendo estar atentos ao aparecimento de sintomas febris.

Médico sem fato adequado

Juan Manuel Parra Ramírez tratou de Teresa Romero durante 16 horas. O médico denuncia agora falhas na segurança do fato que utilizou. "As mangas estavam curtas", alertou através de uma nota citada pelo El Mundo e ABC. Ao suspeitar que a situação poderia ser grave, o médico proibiu a entrada no quarto da auxiliar, sem que ele estive presente. Nas horas seguintes ele e vários enfermeiros foram controlando a evolução do estado de saúde. Quando se tornou evidente que a possibilidade de Teresa Romero estar infetada com ébola era forte, o médico começou a vestir um fato de proteção, mas as mangas estavam curtas.

O clínico escreve ainda que soube pelos meios de comunicação social que a auxiliar de enfermagem estava infetada com o vírus do ébola. Dois dias depois, Juan Manuel Parra Ramírez foi ao hospital Carlos III (onde estiveram internados os dois missionários infetados em África e para onde foi transferida Teresa Romero), pois queria ser controlado. O ABC escreve que o médico continua a fazer a vida normal, inclusivamente, a tratar doentes.

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