Winnie quer propriedade da casa de família de Mandela

A ex-mulher de Nelson Mandela, Winnie Madikizela-Mandela, pretende obter para si a propriedade da casa da família do antigo presidente sul-africano em Qunu, no sudeste do país, com o argumento de que esta foi adquirida quando era casada com o dirigente histórico da luta contra o regime do apartheid.

Segunda mulher de Nelson Mandela, que posteriormente veio a casar-se com Graça Machel, Winnie não foi contemplada no seu testamento, mas os seus advogados argumentam que, segundo o direito tradicional, a propriedade de Qunu deve passar para a titularidade daquela e dos seus filhos. Estes indicam que a propriedade foi, "de facto, adquirida por Madikizela-Mandela no período em que o seu marido se encontrava preso", em 1989. E que este aprovou a compra ao ser libertado em 1990. Assim, "de acordo com o costume, a propriedade tornou-se a casa" de Winnie.

A notícia foi revelada pela publicação sul-africana Daily Dispatch que afirma ter tido acesso exclusivo ao pedido apresentado pelos advogados de Winnie, de 77 anos, a um dos juízes executores do testamento de Mandela.

Datada de 18 de julho, data de nascimento do primeiro presidente negro da África do Sul, eleito em 1994, na carta defende-se que o direito à propriedade não cessa com o divórcio e que os filhos dos três casamentos de Mandela têm direito às casas de vida em comum deste com cada uma das suas mulheres. Mandela e Winnie viveram em Qunu, onde aquele veio a ser sepultado a 15 de dezembro de 2013.

O argumento dos advogados de Winnie é que a propriedade deve passar para esta e suas filhas por ter sido "a sua casa comum e de família". Afirmam ainda que a propriedade "não pode ser dada à guarda de um só indivíduo nem de alguém em geral, que não sejam os descendentes" da segunda mulher de Mandela. Atualmente, a propriedade é gerida pelo Nelson Rholihlahla Mandela Trust Fund em nome de Graça Machel, dos seus filhos e da restante família.

No seu testamento, Mandela deixou escrito que "a propriedade de Qunu deve ser utilizada em perpetuidade pela minha família para preservar a sua unidade". No documento, cujo conteúdo foi divulgado no início do ano, Mandela estabelece que a sua herança é dividida entre Graça Machel, os seus filhos e netos, alguns amigos e colaboradores próximos, a várias escolas e ao ANC. Zindzi e Zenani, as duas filhas do seu casamento com Winnie receberam, cada uma, cerca de três milhões de rands (210 mil euros), antes da leitura do testamento, lê-se na notícia do Daily Dispatch.

O mesmo jornal escreve que, parecendo antecipar problemas após a divulgação do testamento, os seus executores divulgaram uma nota tornando claro que não se deixariam "envolver em questões relativas ao direito tradicional, nomeadamente no que respeita ao estatuto das pessoas da família". Segundo o Daily Dispatch só Graça Machel tinha direito a contestar o testamento, o que não fez. Este diário afirma ter conhecimento de que a questão será discutida numa reunião dos executores do testamento que se realiza quinta-feira.

Mandela saiu da prisão em 1990 e passado dois anos divorciou-se de Winnie, figura ainda hoje popular na África do Sul mas também controversa e que teve, no passado, o nome associado a escândalos, como as acusações de homicídio e tortura praticadas pelos seus guarda-costas contra adversários políticos, além de algumas polémicas.

Além desta questão, subsistem várias divergências e conflitos entre muitos dos membros da família Mandela. Ainda na passada semana, os jornais sul-africanos noticiaram que a propriedade estaria a ser mal gerida, de tal modo que tiveram de ser as autoridades da província do Cabo Oriental a alimentarem as manadas que se encontram no seu interior.

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