Vitória previsível de Obiang nas eleições de domingo

A Guiné Equatorial, país observador da comunidade lusófona, realiza no domingo eleições legislativas e locais, um escrutínio sem observadores internacionais e que deverá dar nova vitória esmagadora ao partido do Presidente Obiang, há 34 anos no poder.

Cerca de 300 mil eleitores serão chamados a eleger os 100 deputados que compõem a câmara baixa do parlamento e, pela primeira vez, 55 membros do senado, criado após a reforma constitucional de 2011.

Em disputa estão ainda 334 lugares de conselheiros locais em 30 municípios.

Com apenas dois dos 12 partidos da oposição da Guiné Equatorial a concorreram sozinhos - os restantes aliaram-se Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), do Presidente Teodoro Obiang - a campanha eleitoral ficou marcada por denúncias de intimidação, detenções e violência sobre os opositores.

A Convergência Para a Democracia Social (CPDS), que detém o único lugar da oposição no Parlamento, e a Ação Popular da Guiné Equatorial (APDGE) concorrem sozinhos, mas analistas internacionais acreditam que a coligação deverá repetir o resultado das legislativas de 2008, quando conseguiu mais de 95 por cento dos votos.

A coligação no poder, que ganhou todas as eleições desde que Obiang tomou o poder em 1979 através de um golpe militar, apresentou como bandeira a melhoria das infraestruturas e a diversificação da economia.

Obiang rejeita firmemente as acusações de nepotismo e corrupção - apesar de ter nomeado 12 membros da sua família para o Governo - e garante que não existe pobreza no país, apenas "escassez".

Por seu lado, o líder da CPDS, Plácido Micó, acusa Obiang de querer instaurar "um Governo de ditadura" e de ter feito "negócios lucrativos" com as companhias petrolíferas estrangeiras que lhes permitem disfarçar as violações dos direitos humanos.

Apelando ao voto, o líder do CPDS considera que apenas os cidadãos se podem salvar a eles próprios.

"Esperar que a comunidade internacional nos venha resgatar é irresponsável e ilusório", disse.

Durante a campanha eleitoral, vários ativistas que tentaram organizar uma manifestação pacífica foram presos, os manifestantes dispersados pela polícia com recurso a cães, um dos principais líderes da oposição foi detido e o acesso à rede social Facebook e a alguns sites dos partidos da oposição foram bloqueados.

O Governo justificou a ação policial com o facto de haver grupos ilegais entre os manifestantes e atribuiu os bloqueios da internet a "um vírus externo".

Plácido Micó acusa o partido de Obiang de ter começado a distribuir material eleitoral dois dias antes do início da campanha, adiantando que ao seu partido foi negado tempo de antena na televisão e na rádio e não lhe foram distribuídos quaisquer fundos.

As organizações de direitos humanos questionam a credibilidade do escrutínio, num país onde a omissão nacional de eleições é controlada pelo Governo e as autoridades mantém a imprensa sob controlo apertado.

As eleições de domingo são as primeiras após o referendo de 2011, quando, segundo dados das autoridades equato-guineenses, 98 por cento dos eleitores aprovaram reformas constitucionais que criaram um senado, impuseram um limite aos mandatos presidenciais e criaram o cargo de vice-Presidente.

A votação foi considerada fraudulenta pelos grupos de direitos humanos, que denunciaram perseguições a opositores e a intimidação de eleitores, acusando Obiang de estar a preparar a sua sucessão através do filho mais velho, Teodoro Nguema Obiang Mangue, "Teodorin".

"Teodorín", que é alvo de um mandado de detenção internacional, foi nomeado posteriormente segundo vice-Presidente, apesar de isso não estar previsto na Constituição.

Antiga colónia espanhola, a Guiné Equatorial é um dos países mais pequenos de África. Na década de 1990, foram descobertas importantes reservas de petróleo, mas apesar de se ter tornado num dos maiores produtores de petróleo na África Subsaariana, a maioria dos seus cerca de 700 mil habitantes vivem com menos de 01 dólar por dia.

A mortalidade infantil está entre as mais altas de África e ocupa os lugares mais baixos do índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas.

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