Violentos combates no assalto final à terra de Kadhafi

As forças do novo poder na Líbia lançaram hoje uma nova ofensiva militar no centro da cidade de Sirte, terra natal do ex-líder Muammar Kadhafi, onde ainda permanecem diversas bolsas de resistência dirigidas por responsáveis do antigo regime.

O Conselho Nacional de Transição (CNT), o órgão político da rebelião que derrubou o regime de Kadhafi com o apoio militar da NATO, parece aguardar a queda de Sirte para proclamar a "libertação total" do país e promover a formação de um governo de transição até às eleições gerais.

Violentos combates com armas automáticas e morteiros decorriam na cidade ao início da tarde de hoje a cerca de dois quilómetros a praça central de Sirte (360 quilómetros a leste de Tripoli), tendo provocado pelo menos seis mortos e dezenas de feridos, segundo um jornalista da agência noticiosa AFP no local.

Os combates concentravam-se em torno de uma escola onde estava entrincheirado um grupo pró-Kadhafi. Esta zona, composta por três bairros, é designada por Bairro Dólar, devido às numerosas residências luxuosas, propriedade de dirigentes do antigo regime.

"É o fim da história. À excepção deste bairro, a cidade está libertada. Mas esperamos uma forte resistência. Eles [os pró-Kadhafi] já não podem utilizar artilharia, apenas lhes resta o combate de rua. São os últimos fiéis que estão prontos a morrer", assegurou Zubayr Bakush, um comandante militar do CNT.

De acordo com este responsável, Muatassim, um dos filhos de Kadhafi, e diversos dignitários do antigo regime - incluindo Abubakr Yunes, companheiro de primeira hora de Kadhafi e responsável pela frente de Sirte, e o ex-ministro da educação Ahmed Ibrahim - dirigiam as operações.

Na terça-feira, o presidente do CNT, Mustapha Abdeljalil, deslocou-se brevemente ao centro de Sirte para apoiar as suas tropas, que desde sexta-feira perderam mais de 80 homens na cidade, onde já foram suspensos os ataques aéreos da NATO.

No plano humanitário, os combatentes do CNT prosseguiram a evacuação de civis, cujo número diminuiu de forma considerável.

A organização Human Rigths Watch (HRW) apelou aos beligerantes em Sirte para pouparem a população civil e pediu às forças do CNT a rápida transferência para Tripoli ou Benghazi de todos os prisioneiros, com o objectivo de evitar represálias.

As forças do CNT prosseguem em paralelo a ofensiva no oásis de Bani Walid, 170 quilómetros a sudoeste de Tripoli.

O conflito na Líbia, país rico em petróleo, foi desencadeado em 15 de Fevereiro com uma revolta popular no leste do país, que evoluiu para uma guerra civil, com a intervenção militar da NATO ao lado das forças do CNT.

Os ex-rebeldes referem que o conflito provocou mais de 25 mil mortos. Muammar Kadhafi, que governou o país durante 42 anos, permanece em destino incerto.

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