UNITA organiza manifestação em Paris a par do protesto em Luanda

A delegação da UNITA em França manifestou-se hoje, em Paris, em protesto pelo alegado assassínio dos jovens ativistas Isaias Cassule e Alves Kamulingue, que desapareceram em Angola no ano passado.

A par da manifestação organizada pela UNITA hoje, em Luanda, a delegação em França do principal partido angolano da oposição reuniu-se na Praça dos Direitos do Homem, em Paris.

"Quando soubemos que a UNITA em Luanda tinha convocado essa manifestação de repúdio em relação aos assassínios que se estão a passar em Luanda, decidimos imediatamente também participar e organizarmos uma aqui", disse à agência Lusa a responsável da UNITA em Paris, Florence Samakuva.

"Sabemos que o MPLA tem estado a sacrificar muitas vidas, muita gente tem sido assassinada e as práticas do MPLA são pura e simplesmente ditatoriais. Achámos que era a altura de participarmos e passarmos a mensagem para a comunidade internacional porque é necessário que se faça alguma coisa", acrescentou.

Já Domingos Miranda, também membro da UNITA, considera que os acontecimento relatados se tratam de "uma agressão a um povo desarmado e pacífico que apenas quer dizer 'chega'".

"Um Governo que se diz responsável, que pratica uma política que vá no sentido da democracia, ou do respeito da democracia, não pode, de maneira nenhuma, impedir o seu povo de se manifestar quando este sai à rua para acusar os erros graves da sua governação", disse Domingos Miranda.

"A comunidade internacional devia tomar consciência desta situação. Deviam tomar uma posição, porque Angola não é só petróleo, Angola é um país que tem uma história, Angola é um povo que quer viver democraticamente, quer a paz, a democracia com prosperidade", disse o manifestante que considera que "o petróleo só serve os interesses do Presidente da República, da sua família e daqueles que o rodeiam".

Florence Samakuva disse à Lusa que o MPLA tentou evitar a manifestação de hoje, em Luanda, apesar da UNITA ter deixado claro, em comunicado, que seria uma manifestação pacífica.

A responsável da UNITA em Paris acrescentou que as forças policiais "prenderam 200 jovens que estavam a preparar-se para se manifestarem", em Luanda, assim como Abel Chivukuvuku, ex-militante da UNITA e fundador da Convergência Ampla de Salvação em Angola (CASA) e Alcides Sacala, secretário para as relações exteriores e deputado da UNITA.

"Não é assim que se trata o seu povo, sobretudo quando se ama o seu país", concluiu Domingos Miranda, com "tristeza e indignação".

"A manifestação é, acima de tudo, pacífica e não é só da UNITA. Foi a UNITA que a convocou, mas a adesão foi de toda a gente em Angola. Todos os partidos políticos, todas as organizações religiosas, todo o povo" sublinhou Florence Samakuva.

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