União Africana diz que votação foi livre e credível

A União Africana (UA) disse hoje que as eleições de quarta-feira no Zimbabwe foram "livres e credíveis", acrescentando que as falhas registadas não impediram os eleitores de exprimir a sua vontade.

"Esta eleição foi livre..., credível", disse o antigo presidente da Nigéria Olusegun Obasanjo, que liderou a missão de observadores da UA às eleições no Zimbabwe.

Ainda assim, o relatório preliminar da UA manifesta "grande preocupação" por alguns eleitores terem sido impedidos de votar, bem como em relação aos cadernos eleitorais.

"Houve incidentes que poderiam ter sido evitados, mas no global não acreditamos que estes incidentes façam com que os resultados finais não reflitam a vontade do povo", acrescentou Obasanjo.

Os resultados da votação, sobre a qual recaem suspeitas de fraude, ainda não foram divulgados, mas o campo do Presidente Robert Mugabe, no poder há 33 anos, já reivindicou a vitória, enquanto o candidato da oposição e primeiro-ministro do Governo de unidade nacional, Morgan Tsvangirai, classificou as eleições como uma farsa, considerando que são nulas.

A UA disse que foram impressos dois milhões de boletins eleitorais extra, cerca de 35 por cento a mais dos 6,4 milhões de potenciais eleitores, o que contraria as práticas internacionais.

"A missão nota com grande preocupação uma grande incidência de votantes que foram rejeitados nas mesas de voto", disse Aisha Abdullahi, comissária de assuntos políticos da UA.

Além disso, num "número significativo" de cadernos eleitorais locais faltavam eleitores ou não foi possível identificá-los, acrescentou.

As listas eleitorais finais foram disponibilizadas apenas dois dias antes da eleição, ou seja "demasiado tarde para uma inspeção e verificação fiáveis".

Não foram entregues cópias dos cadernos aos candidatos, como prevê a legislação, notou a UA.

"A missão regista a grande preocupação manifestada por alguns candidatos relativamente à duplicação e omissão do nome de votantes, que não deve ser permitida, e que pode suscitar dúvidas sobre os resultados das eleições", disse Abdullahi.

Cerca de 600 observadores internacionais, na maioria de organizações africanas, foram acreditados para monitorizar as eleições gerais no Zimbabwe, juntando-se aos seis mil observadores locais.

Os observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SDAC) ainda não se pronunciaram sobre a forma como decorreram as eleições.

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