Tsvangirai pede a povo que resista a "roubo"

Um líder histórico da oposição no Zimbabué apelou hoje aos zimbabueanos para que resistam e paralisem o país, após os aliados do Presidente Robert Mugabe terem reivindicado vitória em mais umas controversas eleições gerais.

"É preciso que haja resistência contra este roubo e o povo do Zimbábue tem de pronunciar-se de maneira contundente", afirmou à agência noticiosa francesa AFP Roy Bennett, membro do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), em Joanesburgo, África do Sul.

"Estou a falar de resistência passiva", vincou o membro do partido do primeiro-ministro do Zimbabué e candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, considerando que as pessoas devem "paralisar por completo o país".

Os zimbabueanos foram na quarta-feira às urnas em eleições gerais (presidenciais, legislativas e municipais), um escrutínio disputado entre o Presidente Robert Mugabe, no poder há mais de 30 anos, e o atual primeiro-ministro e principal rival político, Morgan Tsvangirai.

As declarações de Roy Bennett surgem numa altura em que os resultados da votação, sobre a qual recaem suspeitas de fraude, ainda não foram divulgados, mas o campo do Presidente Mugabe já reivindicou a vitória, enquanto Tsvangirai denunciou a existência de fraudes em larga escala.

Nesta altura, os receios de violência entre os apoiantes dos dois campos aumentam no Zimbabué.

"A nossa opinião é que estas eleições são nulas", afirmou hoje Morgan Tsvangirai em conferência de imprensa.

O líder do MDC acrescentou que foi "uma eleição fictícia que não reflete a vontade do povo" por causa das manipulações de Robert Mugabe.

Roy Bennett, que ainda exerce funções de tesoureiro no MDC, apesar de viver grande parte do tempo fora do Zimbábue, afirmou-se consternado com uma eleição que classificou de "farsa total [e] absoluta".

"Estou totalmente chocado com a maneira como falsearam isto e pensam safar-se", frisou.

O escrutínio no Zimbabué era tido como fundamental para por fim ao frágil governo de coabitação, formado sob pressão internacional para evitar uma guerra civil, depois da violência que marcou as presidências de 2008, também disputadas entre os dois candidatos.

A primeira volta no ato eleitoral de 2008 foi ganha por Morgan Tsvangirai que, contudo, desistiu de se apresentar à segunda volta depois de vários dos seus apoiantes terem sido assassinados.

Mugabe, sem opositor, acabou por ser reconduzido como dirigente máximo do país, o que lhe valeu fortes críticas da comunidade internacional e o endurecimento das sanções políticas e económicas contra o seu regime

A partilha de poder durou cerca de quatro anos, mas o Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai.

Elementos da polícia antimotim do Zimbabué tomaram hoje posições nas proximidades da sede do partido do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, situada na zona da baixa de Harare, segundo testemunho do repórter da AFP no local.

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