Termina motim na cadeia mas alimentos não entram

Os tumultos na penitenciária agrícola de Chimoio, vulgo Cabeça de Velho, em Manica, centro de Moçambique, terminaram apesar de continuar em vigor a interditação da entrada de alimentos não confeccionados, disse hoje à Lusa fonte judicial.

Josefa Ferreira, directora provincial da justiça de Manica, que justifica a medida como norma dos estabelecimentos prisionais, disse que "comportamentos indecentes serão combatidos na cadeia", onde no sábado os reclusos se manifestaram contra a medida, alegando haver deficiência na dieta alimentar. "Os tumultos acabaram. A agitação foi incitada por um grupo de 89 reclusos, mas a ordem na cadeia vai prevalecer porque a decisão é legal. O Estado põe à disposição alimentos para todos os reclusos. Ninguém se queixou oficialmente da dieta alimentar", disse Josefa Ferreira.

Os prisioneiros protestaram contra a dieta alimentar da cadeia, que, acusam, se resume a massa de farinha de milho e feijão intercalado com peixe seco, alegando que se socorriam de alimentos trazidos pelos familiares para melhorar a "saúde alimentar". "A greve começou quando foram retirados alimentos não confeccionados nas celas e isso é proibido, pelo que serão responsabilizadas as pessoas que introduziram esses alimentos", explicou a directora da justiça.

Uma circular de 08 de Setembro proíbe a entrada na cadeia de alimentos não confeccionados, como ovos, frango, carnes, legumes, entre outros, que suportava a variedade alimentar dos reclusos. No dia da greve, cinco portões de pavilhões ficaram destruídos, incluindo dois da cadeia de máxima segurança (BO). A polícia foi obrigada a disparar, para dispersar os manifestantes, que tentavam agredir guardas prisionais. Ninguém ficou ferido, segundo fontes policiais.

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