Tanques e soldados no palácio do Presidente

Tentativa de golpe de Estado após semanas de crise política. Chefe do Estado refugiou-se num edifício nos arredores da capital.

Um grupo de militares tomou ontem de assalto o Palácio do Presidente de Madagáscar, na capital, Antananarivo, para precipitar a queda do Chefe do Estado após semanas de crise política na ilha da costa africana.

Antecipando o golpe, o Presidente Marc Ravalomanana refugiou-se horas antes num outro palácio nos arredores da capital. Ao início da noite, um porta-voz dos revoltosos disse que os militares queriam evitar um banho de sangue e só considerariam avançar sobre o refúgio de Ravalomanana depois de saberem a posição da sua guarda pessoal.

A revolta dos militares aconteceu horas depois de o chefe da oposição, Andry Rajoelina, ter apelado às forças da ordem para que forçassem a queda do Chefe do Estado. Rajoelina rejeitara uma proposta de referendo por parte do Presidente. O jovem político disse que o povo está "sedento de mudança" e a única solução é a "queda de Ravalomanana".

A União Europeia, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa, na presidência da UE, condenou a tentativa de golpe de Estado e avisou que Bruxelas não reconhecerá um presidente que tenha chegado ao poder por via da força. A União Africana também se reuniu de emergência.

Ontem, em Antananarivo, ouviram-se tiros e algumas explosões e os tanques derrubaram os portões do palácio presidencial à força. O Banco Central também terá sido tomado. Apesar do assalto não há registo^ de quaisquer mortos ou feridos.

Tradicionalmente e desde a independência daquela ilha do oceano Índico da França, o exército manteve- -se neutral nos períodos de instabilidade. Mas ontem o coronel Ndriarijaona, que liderou um motim contra o chefe do exército no mês passado, deu o apoio à oposição.

"Nós estamos pelo povo de Madagáscar. Se Andry Rajoelina pode resolver os nossos problemas, nós estamos com ele," disse o coronel. "Diria que 99% dos soldados estão com ele."

Por detrás da crise política está uma luta de poder entre dois homens: Marc Ravalomanana e Andry Rajoelina, presidente da câmara da capital, que foi demitido no início de Fevereiro por desafiar o Chefe do Estado. Nas últimas sete semanas, o país viveu mergulhado na instabilidade política com várias manifestações, motins e confrontos que provocaram mais de cem mortos.

Rajoelina acusa o Chefe do Estado de ser um tirano que vendeu a ilha aos interesse estrangeiros. O jovem empresário da comunicação social que foi DJ afirma-se como o rosto da democracia, mas os analistas notam que ele quer depor pela força um líder democraticamente eleito e assumir o seu lugar, sem ir a votos.

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