Presidente Morsi proibido de sair do país

Os serviços de segurança egípcios proibiram hoje o Presidente, Mohammed Morsi, e vários altos responsáveis islamitas de sair do país, decisão relacionada com o seu alegado envolvimento numa fuga da prisão em 2011.

Responsáveis da segurança aeroportuária revelaram à agência France Presse que têm ordens para impedir os líderes islamitas, incluindo o Presidente, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e um outro responsável da organização, Khairat al-Shater.

O caso prende-se com a fuga de reclusos da prisão de Wadi Natroun em 2011, durante a revolta que acabou por depôr o ex-presidente Hosni Mubarak, na qual estão implicados.

O conselheiro presidencial para a segurança, Essam al-Haddad, criticou através da rede social Facebook o que considera ser um "golpe militar", caracterizado pela interdição de viajar e pelo ultimato dado pelo exército a Morsi para dar resposta aos anseios do povo, que expirou cerca das 15:30 de hoje (hora de Lisboa).

"Chamemos ao que está acontecer o que é: um golpe militar", escreveu al-Haddad, acrescentando recear que estas sejam as últimas palavras que escreve no Facebook.

O Presidente do Egito, Mohamed Morsi, contestado desde domingo em manifestações de rua, reiterou hoje a proposta para um governo de unidade nacional até às próximas legislativas, num comunicado emitido antes de terminar o ultimato emitido pelo exército.

"A presidência encara a formação de um governo de coligação consensual para preparar as próximas eleições legislativas", refere um comunicado do gabinete presidencial publicado na sua página do Facebook.

Dezenas de milhares de pessoas enchiam esta tarde a emblemática praça Tahrir, no Cairo, reclamando a demissão de Morsi, enquanto outra manifestação de apoiantes islamitas do Presidente se realizava do outro lado da cidade, em Nasr City.

Al-Haddad afirmou que para demover os manifestantes pró-Morsi "terá que haver violência, seja do Exército, da Polícia ou de mercenários", reforçando que terá que haver "derramamento de sangue considerável".

O Egito está profundamente dividido entre os adversários de Morsi (oriundo do movimento Irmandade Muçulmana), que denunciam uma deriva autoritária do poder destinada a instaurar um regime dominado pelos islamitas, e os apoiantes que querem ver reforçada a legitimidade conquistada nas urnas, na primeira eleição democrática realizada no país.

Várias cidades egípcias têm sido palco de grandes manifestações anti-Morsi, marcadas por atos de violência.

A Presidência egípcia rejeitou, na noite de segunda-feira, o ultimato divulgado algumas horas antes pelo exército egípcio, afirmando que continuará o seu plano de reconciliação nacional.

Na terça-feira, diversos grupos da oposição egípcia designaram o líder dissidente Mohamed ElBaradei para os representar nas negociações sobre o futuro do país.

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