"Pik" Botha: "Dêem uma oportunidade a Zuma "

Roelof "Pik" Botha, que foi 27 anos ministro dos Negócios Estrangeiros durante a vigência do "apartheid", apelou hoje aos seus compatriotas para que dêem uma oportunidade a Jacob Zuma para que ele prove o que vale como presidente.

Zuma, presidente do ANC, que será o próximo chefe do Estado e do governo, já que a vitória eleitoral do seu partido está assegurada muito antes do fim da contagem dos votos das eleições de quarta-feira, foi criticado à esquerda e à direita por todos os sectores da sociedade pelas mais variadas razões.

Para o antigo MNE do regime minoritário branco, "Zuma é o homem certo para dirigir os destinos da África do Sul nos próximos cinco anos".

"O homem (Zuma) merece uma oportunidade de pôr em prática o que tem vindo a afirmar. Merece uma oportunidade como presidente", afirmou Botha ao jornal de língua afrikaans Beeld.

"Pik" Botha e Jacob Zuma conheceram-se entre 1990 e 1994 durante as negociações do período de transição sobre a nova Constituição. Foi também nessa altura que Botha recorda ter conhecido de perto o ex-presidente Thabo Mbeki.

Botha acusa Mbeki de ter mudado depois de ter sido eleito presidente.

"Ele era tal e qual como Zuma, acessível, quando o conheci. Mas mudou e deixou de ouvir as pessoas fora do seu círculo fechado, enquanto o Zuma que conheço não mudou", garante o ex-governante, que nos últimos anos se alinhou com o Congresso Nacional Africano.

Para Botha, Jacob Zuma tem o maior respeito pela História afrikaner e deu garantias de sobra sobre o papel que os afrikaners têm no presente e no futuro do país.

Recordando que o futuro presidente da República tem insistentemente defendido a nomeação para cargos públicos de pessoas competentes e dedicadas, a necessidade de combater os compadrios, a incompetência e a corrupção, de defender a liberdade de Imprensa e de promover o crescimento económico para combater o desemprego, Botha acha extraordinário que muitos não o escutem, limitando-se a criticá-lo.

Com efeito, Jacob Zuma tem sido o político sul-africano mais criticado e ridicularizado pelos media e por líderes da oposição em face dos seus processos-crime por corrupção, da sua assumida poligamia, da canção de guerra "Dá-me a Minha Metralhadora" que entoa e dança nos comícios e pelo comentário que fez durante um julgamento por alegada violação, na qual defendia que um duche após relações sexuais elimina o risco de infecção pelo HIV.

Botha recorda que Zuma abordou o ex-presidente Mbeki há alguns anos sugerindo a criação de um grupo de trabalho no ANC para escutar as críticas populares à actuação do governo de forma a corrigi-la, mas que Mbeki não só o ignorou como o despediu do executivo pouco depois.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG