ONU: Gbagbo deve ceder poder "imediatamente"

O presidente cessante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, deve ceder o poder "imediatamente" ao vencedor das últimas eleições, Alassane Ouattara, afirmou hoje o secretário geral da ONU, apelando à contenção de ambas as partes.

A declaração de Ban Ki-moon foi divulgada numa altura em que forças leais a Ouattara ganham posições na capital, Abidjan, e horas depois de o Conselho de Segurança ter adotado por unanimidade uma resolução impondo sanções a Gbagbo e aos seus colaboradores mais próximos e exigindo a sua saída do poder.

Na declaração divulgada pelo seu gabinete, Ban Ki-moon diz estar a seguir atentamente a "rápida evolução" dos acontecimentos do terreno, com preocupação pelo aumento da violência.

Ban apela a ambas as partes para que protejam a população civil e cooperem com a missão da ONU (UNOCI), e reitera que os responsáveis por crimes humanitários serão responsabilizados.

Ambos os líderes devem "exercer contenção máxima, abster-se de retaliações e colocar acima de tudo os interesses de toda a nação".

"Laurent Gbagbo deve imediatamente ceder o poder ao presidente Ouattara para permitir a total transição das instituições do Estado para as autoridades legítimas", afirma.

Ban Ki-moon sublinha ainda que a situação humanitária na Costa do Marfim e na vizinha Libéria, para onde têm afluído milhares de refugiados, é "crítica", e deve ser assegurado o acesso imediato às populações carenciadas, além de disponibilizada ajuda internacional "generosa" para as assistir.

O bloqueio ao hotel que servia de base a Alassane Ouattara desde as presidenciais de 28 de Novembro foi hoje levantado, segundo disse à rádio France-Info o chefe da ONU na Costa do Marfim, Choi Young-jin.

A comunidade internacional reconheceu Alassane Ouattara como o vencedor das presidenciais de 28 de novembro passado, mas Gbagbo tem recusado ceder o poder, afirmando que ganhou as eleições.

Da violência registada na crise pós-eleitoral resultaram perto de 500 mortos, segundo o último balanço da ONU.

Na resolução aprovada quarta feira, o Conselho de Segurança "pede [a Laurent Gbagbo] que se retire imediatamente", em favor do presidente-eleito.

Manifesta ainda o seu "total apoio" às forças da ONU na Costa do Marfim (ONUCI) para que utilizem "todas as medidas necessárias" para garantir a sua função de proteger os civis e impedir a utilização de armas pesadas contra civis.

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