Mineiros de Marikana acusam polícia de maus tratos

Os mineiros em greve que foram presos a 16 de agosto no seguimento de um tiroteio em Marikana acusam a polícia de maus tratos sofridos na prisão, segundo a imprensa sul africana. Libertados ao início do dia, os grevistas foram recebido por uma multidão e festejos.

Fora do tribunal, os primeiros mineiros libertados contaram aos jornalistas que tinham sido torturados sob custódia policial, queixas que tinham já feito à Direcção da Polícia de Investigação Independente, segundo o jornal sul africano 'Daily Maverick'.

"A polícia levava-nos para fora e batia-nos. Davam-nos socos e pontapeavam-nos. Diziam para não olharmos para eles. Faziam-nos ficar de pé e revistavam-nos outra vez. Alguns eram obrigados a despir-se", explicou Wilson Febane, um dos primeiros mineiros libertados.

Outro mineiro que, segundo a AFP, não quis ser identificado, afirmou que foi obrigado a ficar de pé contra uma parede com as mãos atrás das costas enquanto era agredido com os punhos e bastões. O preso viu ainda companheiros cujos dedos eram pisados com botas serem esbofeteados.

Os mineiros foram detidos no seguimento de confrontos com a polícia que disparou contra 112 mineiros, matou 34 e feriu outros 78, em Marikana, a 16 de agosto. Os detidos estavam a ser acusados de homicídio e tentativa de homicídio, mas devido às duras críticas feitas pelos populares, as acusações foram retiradas.

Victor Molefane chorou ao reencontrar os amigos que lhe disseram que a esposa teve um bebé ontem. Os homens juntaram-se numa celebração que durou dez minutos em que as mulheres dançaram e cantaram canções religiosas.

Os restantes 108 mineiros ainda detidos devem ser libertados quinta feira.

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