Mineiros de Marikana aceitam reduzir exigências salariais

Mineiros sul-africanos em greve da mina da Lonmin, que hoje se reuniram num estádio da zona com autorização prévia das autoridades, aceitaram que os seus representantes negoceiem propostas salariais inferiores às que inicialmente exigiam.

A reunião dos mineiros com os seus representantes nas negociações com a administração da empresa (na maioria de instituições religiosas que têm mediado o processo) realizou-se sem a presença de jornalistas, que foram convidados a abandonar o estádio de Wonderkop antes do início do encontro.

Fontes ligadas ao processo revelaram que os 12.500 rands (1.120 euros) inicialmente exigidos pelos mineiros como salário base passaram agora para os 11 mil rands (1.047 euros).

Horas antes, o antigo líder da Juventude do ANC, Julius Malema, fora expulso da zona de Marikana pela polícia quando chegou às imediações do estádio de Wonderkop, onde tencionava assistir ao encontro dos mineiros e reunir-se com famílias dos que foram alvo das operações policiais do fim desemana.

Desde a madrugada de sábado que um forte contingente policial, reforçado com efetivos das forças armadas, leva a cabo uma "operação de estabilização" de Marikana, efetuando buscas a estalagens coletivas e residências particulares dos grevistas e confiscando grandes quantidades de catanas, paus, lanças com pontas de aço e outras armas consideradas tradicionais que os mineiros transportam desde o início da greve.

Durante o fim de semana a polícia dispersou várias reuniões de mineiros ao ar livre em Wonderkop (em particular na colina onde em 16 de agosto 34 mineiros foram mortos ao que parece por balas da polícia) e noutros pontos circundantes de Rustenburg, onde se situam os maiores filões de platina do mundo.

Quando Julius Malema e comitiva chegaram ao local, a polícia cortou todos os caminhos que levavam à reunião dos mineiros, forçando o ex-dirigente do ANC e os seus acompanhantes a regressarem às suas viaturas.

Vários carros blindados da polícia e um helicóptero escoltaram de seguida a comitiva de Malema até à autoestrada N4, que liga Pretória e Rustenburg, garantindo que os "indesejáveis visitantes" não regressassem à zona.

Após a reunião de hoje, que terminou sem incidentes, os mediadores da disputa salarial entre os mineiros e a Lonmim declararam-se otimistas relativamente à próxima ronda negocial, agendada para terça-feira.

"Fomos mandatados para transmitir à administração que os mineiros não estão "casados" com a exigência de 12.500 rands. Temos esperança de que as notícias sejam amanhã melhores do que as de hoje. Pode até acontecer que eles regressem ao trabalho na terça-feira", disse a meio da tarde Joe Seoka, presidente do Conselho Sul-Africano das Igrejas, que medeia o conflito.

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