Milhares de mineiros juntam-se para encerrar minas

Cerca de 40 mil mineiros em greve nas minas de platina da Lonmin e da Anglo Platinum (Amplats) no noroeste da África do Sul vão juntar-se hoje com o objetivo de encerrar todas as minas da região.

Os mineiros, que desde muito cedo se movimentam nas ruas de Marikana, em grupos de várias centenas, armados de catanas, paus, lanças e outros instrumentos, convergem para um estádio de futebol da área onde pretendem assinar um pacto de solidariedade que force todas as minas da zona onde se situam os maiores filões de platina do mundo a pôr fim à produção.

A maior produtora mundial de platina, a Amplats, decidiu na quarta-feira encerrar a sua unidade de fundição na sequência de marchas de protesto e atos de intimidação dos piquetes de greve contra os mineiros que pretendiam apresentar-se ao trabalho.

Em comunicado, a empresa explicou que o encerramento da fundição teve como objetivo "proteger as vidas dos mineiros" enquanto a situação se mantiver volátil e imprevisível como tem estado nas últimas semanas.

Muitas centenas de agentes da polícia, apoiados por viaturas blindadas e um helicóptero que sobrevoa a área, estão espalhados por Marikana e áreas limítrofes, seguindo de perto as movimentações dos grevistas.

A tarefa das forças policiais é particularmente difícil no potencialmente explosivo cenário desta pequena vila mineira desde que em 16 de agosto os seus agentes abriram fogo sobre os mineiros da Lonmin matando 34 e ferindo mais de 70.

Cada uma das empresas que detém licenças de exploração na região possui várias minas. A greve ilegal declarada na mina de Marikana da Lonmin em 10 de agosto tem-se progressivamente espalhado a outras minas, e o objetivo dos grevistas neste momento é encerrar todas elas até que as entidades patronais aceitem pagar salários mensais de 12.500 rands (1.120 euros) aos mineiros que operam máquinas de perfuração no subsolo.

Analistas, sindicalistas e políticos continuam a debater as razões desta greve, que já atingiu também minas de ouro noutras regiões do país, bem como a dinâmica que a sustenta, uma vez que o poderoso Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM, filiado na central COSATU), que desde sempre foi a voz dos mineiros, não representa os grevistas e perdeu completamente o controlo do processo.

Entre as teorias vindas a lume nos últimos dias destacam-se a incapacidade dos sindicatos em melhorar as condições salariais e sociais dos mineiros desde o advento da democracia, em 1994, o surgimento de novos sindicatos no setor e a atuação de supostos elementos subversivos nas comunidades mineiras que tentam denegrir a imagem do governo e do seu presidente mesmo que isso implique sérios danos para a economia.

Esta última teoria foi hoje mesmo exposta pelo presidente da central sindical COSATU, Sdumo Dlamini, que defendeu numa entrevista ao "Business Day" que a onda grevista e a violência a ela associada "têm sido orquestradas há já algum tempo por uma fação no seio do ANC, que tem Julius Malema (o ex-presidente da Juventude do partido no poder) como seu testa de ferro".

Para Dlamini, todo este plano terá como objetivo "mergulhar o ANC no caos de forma a que os seus órgãos decisórios afastem Jacob Zuma da presidência no congresso do partido em dezembro em Mangaung".

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