Manifestação da UNITA em Luanda apesar da proibição

O maior partido da oposição em Angola, a UNITA, protesta hoje nas ruas de Luanda "contra a repressão", numa manifestação cuja convocatória se rodeou de polémica, com o Governo a proibir a sua realização.

Em causa está, segundo um comunicado do Ministério do Interior a coincidência do evento com outra iniciativa política, do partido no poder, o MPLA, e que para as autoridades policiais poderia colocar em causa a ordem e segurança públicas.

Segundo ainda o Ministério do Interior, "lamentavelmente, nos últimos dias constatam-se algumas incógnitas para a normalidade da vida nacional causadas por alguma crispação no ambiente sociopolítico do país, decorrente da competição entre partidos políticos, na afirmação dos seus objetivos que configuram fatores potenciais de risco, de conflitualidade que poderão afetar negativamente Angola".

A UNITA manteve, contudo, a convocatória e com a concretização deste ato, esta será a primeira manifestação antigovernamental a sair para a rua em Angola sem ser em período eleitoral.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da UNITA classificou hoje como "excessiva" a declaração do Ministério do Interior de Angola a proibir a manifestação de sábado e garantiu que vai sair à rua.

"Vamos sair (à rua) como programado e reafirmamos o caráter pacífico da manifestação do próximo sábado, como reiteradamente temos dito", disse à Lusa Alcides Sakala.

A convocação da manifestação vem na sequência do comunicado divulgado a 13 deste mês pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola sobre quatro detenções relacionadas com o rapto e provável homicídio de dois ex-militares.

Os dois desaparecidos, presumivelmente mortos, como assumiu a PGR no comunicado, são os ex-militares Isaías Cassule e Alves Kamulingue, raptados na via pública, em Luanda, a 27 e 29 de maio de 2012, quando tentavam organizar uma manifestação de veteranos e desmobilizados contra o Governo de José Eduardo dos Santos.

Também dois dias depois do comunicado da PGR, o chefe do serviço de Inteligência e de Segurança do Estado (SINSE) de Angola, Sebastião Martins, foi demitido do cargo por José Eduardo dos Santos.

Sebastião Martins acumulava aquele cargo com o de ministro do Interior quando os dois ex-militares foram raptados.

Os motivos da exoneração não foram revelados, mas presume-se que estejam relacionados com o alegado envolvimento de agentes do SINSE na presumível morte de Isaías Cassule e Alves Kamulingue.

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