Líder rebelde convoca eleições na sua 1.ª mensagem

O líder dos rebeldes que no domingo tomaram de assalto o poder na República Centro-Africana anunciou hoje, na sua primeira mensagem dirigida à nação, que vai convocar eleições gerais no prazo de três anos.

Na primeira mensagem dirigida à nação, desde que os rebeldes afetos à coligação Séléka tomaram de assalto o palácio presidencial e assumiram o poder no país, no domingo passado, Michel Djotodia assumiu-se oficialmente como Presidente, como já tinha anunciado após a tomada da capital, Bangui.

O chefe de Estado deposto, François Bozizé, conseguiu escapar ao ataque e está refugiado nos Camarões, enquanto a sua família foi acolhida na vizinha Republica Democrática do Congo.

O não cumprimento dos acordos de paz assinados no início do ano com a Séléka foram a justificação apresentada pelo líder dos golpistas para afastar Bozizé.

"Perante esta situação e perante a impossibilidade de o obrigar a retomar à razão, não tivemos outra possibilidade senão utilizar as armas e forçá-lo a abandonar o poder", afirmou Michel Djotodia, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

O líder rebelde garantiu que vai convocar eleições gerais num prazo de três anos e anunciou a dissolução da Assembleia Nacional, do anterior Governo e a suspensão da Constituição do país.

Michel Djotodia decretou também o recolher obrigatório entre as 19:00 hora local (menos uma hora em Lisboa) e as 06:00, de forma a garantir a segurança na capital, onde há vários registos de pilhagens, entre elas a dois cidadãos portugueses, um dos quais o cônsul honorário.

Confirmou ainda que o atual primeiro-ministro Nicolas Changai se mantem no cargo e vai formar um novo executivo de transiçao e que será criado um Conselho Nacional de Transição.

Na sua primeira comunicação oficial, Michel Djotodia exortou ainda à União Africana, União Europeia e a França para que participem no processo de normalizaçao do país, garantindo que vai respeitar o acordo de Libreville.

Acordo esse que previa um cessar de fogo e uma transição de um ano através de um Governo de unidade nacional.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, já veio classificar de "inaceitável" o golpe de Estado naquele país, ond evivem cerca de 30 portugueses, e instou ambas as partes para acabarem com as hostilidades e iniciarem negociações.

A União Africana (UA) suspendeu a Republica Centro-Africana da organização e impôs sanções a sete responsáveis do movimento rebelde.

Em Nova Iorque, foram também vários os diplomatas que condenaram o ataque e se negaram a reconhecer o líder dos rebeldes, Michel Djotodia.

O Conselho de Segurança da ONU convocou, para hoje, uma reunião de urgência para discutir o golpe de Estado que deixou o país à beira da guerra civil.

A França também já reagiu e deslocou um contingente militar para controlar o aeroporto e os voos internacionais.

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