Juristas: eleições exemplares até num contexto europeu

A quartas eleições multiraciais sul-africanas foram exemplares até mesmo num contexto europeu, disse hoje à Lusa o especialista sul-africano em direito internacional André Thomashausen.

"A máquina eleitoral foi excelente, com alguns episódios de escassez de boletins e longas filas que na sua maioria foram solucionados rapidamente pela comissão, o comportamento dos eleitores na esmagadora maioria do território -- que fizeram do acto eleitoral uma celebração da democracia -- tudo abona em favor do sistema democrático sul-africano", salientou o professor de direito internacional comparado na Universidade da África do Sul em declarações à Lusa.

Para André Thomashausen, Jacob Zuma e o Congresso Nacional Africano vão emergir do escrutínio de quarta-feira como uma força imensamente popular entre o povo sul-africano, o que, depois dos escolhos que Zuma teve de ultrapassar, lhe confere condições ideais para governar nos próximos 5 anos.

"O futuro presidente (Jacob Zuma) tem as condições ideais para se afirmar nos próximos oito ou 10 meses como um dos grandes líderes africanos, mas ele será julgado pelas suas acções concretas no combate à crise económica, aos desafios nacionais como a pobreza e o desemprego, e pela forma como tratar os adversários políticos, comunicação social e as instituições", concluiu.

Thomashausen realçou que Zuma deu indicações claras na campanha eleitoral de que será duro para com os corruptos, que o ANC escolherá os seus funcionários no governo central e nos executivos provinciais pelos seus méritos e competências e que terá sempre abertas as portas e janelas do diálogo com o povo.

"Por tudo isso, e essencialmente pela forma como decorreram as eleições, estou em crer que a África do Sul e a sua democracia deram passos de gigante com este acto eleitoral", concluiu o académico e analista político.

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