Jovens julgados por partilharem beijo no Facebook

O julgamento de três adolescentes marroquinos acusados de atentado ao pudor público por terem partilhado a fotografia de um beijo na rede social Facebook foi adiado para 22 de novembro, divulgou hoje o seu advogado de defesa.

O caso, envolvendo um casal de adolescentes e um amigo que tirou as fotografias, está a gerar uma vaga de protestos na Internet, com muitos cibernautas marroquinos a manifestarem a intenção de recriar o beijo num evento público, num claro desafio a uma sociedade que continua fortemente alicerçada em valores muçulmanos conservadores.

Mais de duas mil pessoas já indicaram no Facebook que vão comparecer num evento a realizar no sábado nas imediações do Parlamento marroquino, em Rabat, para protestar contra o julgamento dos jovens.

Os acusados, que têm 14 e 15 anos, foram detidos na semana passada depois de terem partilhado na Internet fotografias do casal de adolescentes a darem um beijo fora da sua escola em Nador (norte de Marrocos).

Os adolescentes, que acabaram por ser libertados na segunda-feira sob caução, compareceram hoje diante do juiz.

"A rapariga apareceu com a mãe, mas os dois rapazes não, estavam atrasados. O juiz decidiu adiar o julgamento até 22 de novembro", disse, em declarações à agência noticiosa France Press, o advogado Monaim Fettahi.

O juiz decidiu adiar o julgamento "para permitir ao tribunal realizar uma avaliação social sobre a situação dos adolescentes", acrescentou Fattahi.

Este caso veio revelar o papel cada vez mais interventivo e influente da Internet, nomeadamente das redes sociais, na sociedade marroquina.

"As redes sociais estão a desempenhar cada vez mais uma função de controlo junto das autoridades e da sociedade marroquina, que continua conservadora", referiu o politólogo Mohammed Madani.

Segundo o especialista, "as pessoas que utilizam o Facebook são muito ativas, porque conseguem captar a atenção da comunicação social, nomeadamente da estrangeira, e pressionar o conservadorismo, tanto da sociedade como do Estado".

"Como resultado, as autoridades reveem as suas decisões judiciais e, por vezes, voltam atrás como foi o caso do indulto ao pedófilo espanhol" Daniel Galvan, que acabaria por ser anulado pelo rei de Marrocos Mohammed VI este verão, depois de vários protestos, acrescentou Madani.

Cerca de 55 pessoas em cada 100 utilizam regularmente a Internet em Marrocos, segundo os dados da organização não-governamental (ONG) norte-americana Freedom House, representando um dos indicadores mais representativos da região do Médio Oriente e do norte de África.

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