Toma posse pela 1ª vez em 33 anos de Presidência

José Eduardo dos Santos, chefe de Estado de Angola desde 1979, tomou hoje posse como Presidente do país na sequência das eleições gerais de 31 de agosto passado, desconhecendo-se os seus planos futuros.

Sucessor do líder histórico do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e "pai da independência", Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos chegou ao poder aos 37 anos, ultrapassando grandes nomes do partido naquele período.

Assumiu a liderança a 21 de setembro de 1979 com o país na bancarrota, mergulhado numa guerra civil, que chegou a dar à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) o controlo de 70 por cento do território, e, em plena Guerra Fria, contra as pretensões do bloco ocidental e Estados Unidos.

Na União Soviética, onde estudou no Instituto de Petróleo e Química de Baku, no Azerbaijão, a sua ascensão foi fortemente apoiada.

Atualmente, na Presidência de um Estado pacificado com abundantes receitas de petróleo e excedentes orçamentais, cortejado pelas grandes potências globais, desde a China aos Estados Unidos, Eduardo dos Santos tem na mão a "chave" do futuro político de Angola.

A adoção da nova Constituição, em fevereiro de 2010, define que o Presidente é nomeado a partir da lista do partido mais votado nas eleições gerais, o que perspetiva mais um ciclo de poder de dois mandatos, até 2022.

José Eduardo dos Santos, que recentemente completou 70 anos, nunca foi escrutinado individualmente, uma vez que nunca conseguiu confirmar a vitória na primeira volta das presidenciais de 1992 devido ao reinício da guerra.

Persiste alguma ambiguidade do Presidente em relação aos seus planos, levando os analistas a dividirem-se entre os que acreditam que irá ceder a Presidência ao seu "número dois" na lista do MPLA, Manuel Vicente, ainda durante o primeiro mandato, e os que acreditam que irá manter-se na liderança até lhe ser fisicamente possível.

José Eduardo dos Santos torna-se Presidente da República por ter encabeçado a lista vencedora das eleições gerais de 31 de agosto passado, em que o MPLA, partido que lidera, obteve 71,84 por cento dos votos, seguindo-se a UNITA (18,66%) e a CASA-CE (6,00%).

A população da capital foi convidada para assistir à cerimónia de 90 minutos e que decorreu junto ao Mausoléu onde se encontram os restos mortais do primeiro chefe de Estado de Angola, António Agostinho Neto, na Praia do Bispo. Para tal foi decretada tolerância de ponto.

Com uma liderança descrita como reservada, laboriosa e tenaz, "Zedu", como é conhecido, é o segundo líder mais antigo de África.

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