Obama insta Presidente do Ruanda a acabar com apoio

O Presidente norte-americano, Barack Obama, instou, esta terça-feira, o seu homólogo do Ruanda a acabar com o apoio aos rebeldes do M23 e a procurar um "acordo político" para pôr fim à crise na República Democrática do Congo.

"Qualquer apoio ao grupo rebelde M23 é incompatível com o desejo de estabilidade e paz", disse Obama numa conversa telefónica com Paul Kagame, segundo um comunicado da Casa Branca, citado pelas agências internacionais.

O Presidente norte-americano sublinhou ainda a importância de acabar "de forma definitiva" com o apoio a todos os grupos armados da República Democrática do Congo, assim como de se chegar a um "acordo político credível e transparente".

Esse acordo deve incluir, segundo Obama, "o fim da impunidade" para dirigentes do M23 que cometeram "graves violações" contra os direitos humanos.

Obama e Kagame abordaram ainda ao telefone "os problemas de governação de longa data" na República Democrática do Congo, com o Presidente dos Estados Unidos a aplaudir o compromisso do seu homólogo ruandês com vista a alcançar uma "solução pacífica" para a crise.

O Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, acusou o vizinho Ruanda de estar por detrás da rebelião do M23 no leste do país.

Os rebeldes do M23 tomaram, no mês passado, a estratégica cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte, rica em minerais e na fronteira com o Ruanda, provocando centenas de milhares de deslocados e lançando a ameaça relativamente a um conflito com repercussões regionais.

Dias depois, os rebeldes, que ainda controlam zonas do Kivu do Norte, abandonaram a cidade, cumprindo um apelo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, o qual conduziu a um processo de negociação com o Governo de Kinshasa, em resposta às exigências do M23.

Ainda que as conversações entre rebeldes e Governo prossigam, a tensão e a falta de acordo entre as partes fazem com que a região permaneça sob a ameaça constante de eventuais confrontos armados.

Os rebeldes do M23 (Movimento 23 de março) lançaram entre abril e maio deste ano uma ofensiva que conduziu à ocupação em novembro último, durante 12 dias, de Goma, a principal cidade da província do Kivu Norte, rica em recursos naturais.

Após uma forte pressão da comunidade internacional, o M23 aceitou retirar as tropas da cidade de Goma, no passado dia 01 de dezembro, bem como iniciou um processo de negociações com o regime de Joseph Kabila.

As primeiras conversações arrancaram a 09 de dezembro em Kampala, Uganda.

O movimento M23 é composto por soldados congoleses desertores e fiéis a Bosco Ntaganda, ex-chefe militar procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade.

A República Democrática do Congo está envolvida num frágil processo de paz desde a segunda guerra do Congo (1998-2003), que implicou vários países africanos e desencadeou o destacamento da maior missão de paz da ONU.

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