"Não voltarei a votar no ANC", anuncia Desmond Tutu

Desmond Tutu, ex-arcebispo anglicano da Cidade do Cabo, Prémio Nobel da Paz, anunciou hoje que não votará "nunca mais no ANC", partido que liderou a luta contra o regime racista do Apartheid na África do Sul e que fez de Nelson Mandela o primeiro presidente negro do país em 1994. Tutu alerta ainda que os sul-africanos deveriam preparar-se para a morte de 'Madiba', algo que, segundo ele, pode acontecer a qualquer momento.

"Tenho votado no ANC durante todos estes anos, mas infelizmente não poderei mais votar neles, pela maneira como as coisas vão", declarou Tutu, num artigo publicado hoje no jornal sul-africano 'Mail & Guardian'. O prelado tem sido uma das vozes críticas das políticas do atual Presidente da África do Sul e líder do ANC, Jacob Zuma.

"Nós precisamos de uma mudança. O ANC esteve muito bem na condução da luta pela libertação contra a opressão", escreveu Tutu, mas, acrescenta, "a unidade forjada no combate pela luta da libertação não facilita a transição para um partido político".

Tutu, de 81 anos, que saiu do hospital na semana passada depois de ter estado internado com "uma infeção persistente", avisou ainda os sul-africanos para que se preparem para a morte de Mandela.

"A minha preocupação é que não nos estejamos a preparar, enquanto nação, para o dia em que o inevitável aconteça. Ele tem 94 anos, viveu tempos muito rudes, e Deus foi muito bom por tê-lo deixado entre nós todos estes anos. Mas a dor da sua perda será muito mais intensa se não nos começarmos a preparar para uma acontecimento que pode ter lugar a qualquer momento".

Sem referir diretamente o nome de Zuma no artigo, Tutu critica o facto de o atula chefe do Estado sul-africano ter cedido à pressão da China para não dar um visto ao Dalai Lama, impedindo-o de ir ao aniversário do ex-arcebispo anglicano do Cabo. Tutu critica ainda as posições assumidas pela África do Sul nas Nações Unidas e ainda o tipo de relação complacente que a liderança sul-africana tem tido com o regime do Presidente Robert Mugabe no Zimbabwe.

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