Egípcia despe-se em nome das mulheres e da liberdade

Aliaa colocou esta fotografia nas redes sociais a poucas semanas das primeiras eleições democráticas da história do Egipto, que se realizam a 28 de Novembro.

De acordo com a edição online do El Mundo, Aliaa Elmadhy, uma jovem egípcia que se auto-intitula "secular, liberal, feminista, vegetariana e independente", difundiu através do seu blogue e páginas do Facebbok e Twitter uma fotografia onde surge completamente nua - apenas com uns sapatos vermelhos e umas meias. Tudo com dois grandes objectivos: a luta pela liberdade no Egipto e contra a discriminação das mulheres.

Mas esta sua ousadia já mereceu fortes críticas de vários quadrantes da sociedade egípcia. Mesmo os mais liberais não viram com bons olhos esta "campanha", já que a nudez é um tema tabu no país.

"Tenho o direito de viver livremente em qualquer sítio. Sinto-me feliz e realizada quando sei que sou realmente livre. Os rectângulos amarelos nos meus olhos, boca e orgão sexual significam a censura do nosso conhecimento, expressão e sexualidade", referiu.

Esta não é a primeira vez que Aliaa cria polémica - foi ela também a autora da campanha via Facebook que defendia que os homens também deviam usar véu, uma forma de protesto contra o uso do "hiyab" por parte das mulheres.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?