Identificado suspeito de assassinar líder da oposição

O suspeito de ter assassinado o líder da oposição tunisina Chokri Belaid já foi identificado, mas encontra-se em fuga, informou hoje o governo local, adiantando que outros "quatro cúmplices" do crime já foram detidos.

O primeiro-ministro designado, Ali Larayedh, disse, em conferência de imprensa, que "o assassino foi identificado e as autoridades estão no seu encalço".

Os outros quatro suspeitos já detidos "pertencem a um grupo religioso radical" e terão vigiado o opositor de esquerda anti-islamita Chokri Belaid "durante algum tempo", adiantou Ali Larayedh. Um dos suspeitos "confessou ter acompanhado o assassino no dia do crime", acrescentou.

Fontes policiais não identificadas citadas pela agência AFP atribuem a responsabilidade do crime a apoiantes do movimento salafita, que segue uma versão radical do islão sunita e está na origem de várias ações violentas registadas na Tunísia nos últimos meses, incluindo o ataque contra a embaixada dos Estados Unidos em Tunes, em setembro, em que os quatro atacantes acabaram mortos.

Chokri Belaid foi morto em 6 de fevereiro, à porta de casa, em plena luz do dia, desencadeando protestos e greves sem precedentes na Tunísia, expondo as fissuras entre os islamitas, no poder, e os liberais, que exigem reformas democráticas.

O crime desencadeou uma crise política na Tunísia, dois anos após o derrube do regime de Ben Ali, no contexto das chamadas primaveras árabes.

A família de Chokri Belaid acusa o partido Ennahda, no poder, de ser responsável pelo crime, mas o partido islamita recusa qualquer envolvimento.

O último primeiro-ministro, Hamadi Jebali, demitiu-se depois de ter proposto ao Ennahda um plano para formar um novo governo de tecnocratas.

Na sexta-feira, o presidente da Tunísia, Moncef Marzouki, aprovou a sugestão do Ennahda para nomear Ali Larayedh, até aqui ministro do Interior, para o cargo de primeiro-ministro e encarregou-o de formar governo.

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