Ex-presidente trabalhou para a CIA

O ex-presidente liberiano Charles Taylor, acusado de crimes contra a humanidade, colaborou com os americanos

O antigo presidente da Libéria, Charles Taylor, trabalhou para CIA no início dos anos 80, revelou o jornal americano Boston Globe. Acusado de crimes contra a humanidade, devido ao seu papel na guerra civil da Serra Leoa, Charles Taylor está sob detenção da Holanda e aguarda o veredito de um tribunal especial internacional que o está a julgar desde 2006.

O diário americano apurou que Taylor trabalhou com agentes americanos e deu informações sobre questões africanas, nomeadamente sobre tráfico de armas, mas também sobre Muammar Kadhafi, o ditador líbio morto no ano passado. O jornal não conseguiu determinar a duração da colaboração de Taylor ou a utilidade da informação que forneceu, mas menciona a existência de pelo menos 48 documentos separados.

Treinado na Líbia, o guerrilheiro derrubou em 1989 e mandou executar Samuel Doe, o presidente liberiano com quem colaborara anos antes. Após ganhar o poder, tornou-se senhor da guerra em toda a região, apoderando-se das riquezas naturais, sobretudo diamantes, na Libéria e Serra Leoa.

Charles Taylor foi eleito presidente da Libéria em 1997, após uma campanha em que aterrorizou a população e à qual concorreu com um slogan que ficou famoso: "Ele matou o meu pai, matou a minha mãe, mas voto nele". Esteve no poder até 2003. As guerras civis da Libéria e Serra Leoa estão ligadas e duraram entre 1998 e 2003. O número de mortos ascendeu a um mínimo de 200 mil, mas houve dezenas de milhares de mutilados e milhões de deslocados.

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