Embaixada diz que não há portugueses na região onde ocorreu o rapto de estrangeiros na Argélia

O embaixador de Portugal na Argélia, José Fernando Moreira da Cunha, disse hoje que não há portugueses na região argelina onde ocorreu o rapto de vários estrangeiros, afirmando ainda que a comunidade portuguesa está tranquila.

"Nós não temos portugueses na região onde aconteceu o rapto, junto da fronteira com a Líbia", disse à agência Lusa o embaixador Moreira da Cunha.

Um ataque contra um campo de gás explorado pela empresa estatal argelina Sonatrach com a empresa britânica British Petroleum e a norueguesa Statoil foi levado a cabo na quarta-feira em Tigantourine, a 40 quilómetros de In Aménas, perto da fronteira líbia.

Dezenas de estrangeiros, entre os quais norte-americanos, franceses, britânicos e japoneses, foram sequestrados por um grupo de extremistas islâmicos.

"Temos três portugueses em explorações petrolíferas a cerca de 300 ou 400 quilómetros desta zona (do sequestro)", afirmou.

"Nós já os contactámos e tivemos uma conversa com estes portugueses no sentido de melhorar as condições de segurança e tomarem as medidas devidas", sublinhou.

De acordo com Moreira da Cunha, a embaixada portuguesa está a dar avisos para que os cidadãos nacionais "não se aproximem de zonas consideradas sensíveis" ou suspeitas de "movimentos de forças extremistas".

"A comunidade está tranquila. Nós mantemos uma relação muito estreita com as empresas portuguesas. Há portugueses que estão em obras por toda a Argélia e nós estamos a alertar para a importância de reforçar as medidas de segurança", afirmou o diplomata.

"Estamos a atualizar as informações sobre os portugueses, porque, às vezes, não temos o conhecimento exato de portugueses que vêm ao país para fazer trabalhos pontuais. Neste momento, há uma grande dinâmica no relacionamento económico entre Portugal e Argélia", acrescentou.

De acordo com o diplomata, a embaixada está "a incentivar as empresas a tomarem os cuidados necessários" com os cidadãos nacionais.

Moreira da Cunha disse que há cerca de 600 portugueses residentes permanentemente na Argélia, mas, com o grande fluxo de altos quadros para trabalhos pontuais, há períodos em que pode haver até 1.200.

O embaixador disse ainda que há cerca de 40 empresas portuguesas instaladas na Argélia, sobretudo em Argel, mas também em cidade como Oran, entre outras.

"A cidade de Oran (que fica a cerca de 400 quilómetros de Argel) está perfeitamente normalíssima. Não há sinais de alarme, não há sinais nenhuns de desestabilização. Tudo se passa como todos os dias, a vida está normal, todos os estrangeiros que conheço não estão preocupados", disse, por seu lado, à Lusa o diretor da empresa Grupo Marítimo Português, António Beja Martins.

O engenheiro disse ainda que, mesmo com o conhecimento das notícias sobre os raptos no sul da Argélia, os portugueses e os estrangeiros que conhece em outras cidades não apresentam "sinais de medo, insegurança" e não relatam que haja instabilidade.

A empresa portuguesa EFACEC possui, neste momento, 10 funcionários nacionais na Argélia, estando a maioria na capital do país.

A EFACEC atua nos setores da energia, engenharia, transportes e logística.

De acordo com informações da empresa à Lusa, todos os seus trabalhadores estão bem e a companhia acompanha de perto a situação no país.

Segundo um porta-voz dos islamitas, citado por dois portais de informação da Mauritânia, 41 estrangeiros, entre os quais norte-americanos, franceses, britânicos e japoneses, foram sequestrados.

A morte do britânico e de um argelino foram anunciadas na quarta-feira pelo ministro do Interior da Argélia, Dahou Ould Kablia.

O grupo estaria a exigir a libertação de 100 islamitas em troca dos reféns.

Hoje, trinta reféns argelinos terão conseguido fugir do campo de gás onde estavam sequestrados.

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