Ébola leva à suspensão de voos e futebol

A epidemia de febre hemorrágica Ebola provocou na terça-feira a suspensão dos voos de uma transportadora aérea para a Serra Leoa e Libéria e a interrupção das atividades da federação de futebol liberiana.

Esta epidemia declarou-se no início do ano na Guiné Conakry, antes de entrar na Libéria e na Serra Leoa, três países vizinhos que, em 23 de julho, totalizavam 1.201 casos, dos quais 672 mortais, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na última semana, a Nigéria anunciou o primeiro caso no seu solo, relativo a um liberiano que tinha viajado de avião de Monrovia para Lagos, via Lomé, e que morreu em 25 de julho.

De Lomé, a transportadora aérea pan-africana Asky anunciou a interrupção das suas ligações com a Libéria e a Serra Leoa, depois da morte do liberiano, que era um dos seus passageiros. A porta-voz da Asky, Afoussath Traoré, adiantou que a decisão tinha sido tomada na terça-feira com efeito imediato, por uma duração não definida.

Em consequência, a Organização da Aviação Civil Internacional, uma agência da ONU, e a OMS vão reunir-se de emergência.

Para travar a propagação da febre hemorrágica, muito contagiosa e frequentemente mortal, a federação liberiana de futebol, ordenou na terça-feira, "com efeito imediato, a suspensão de todas as atividades de futebol e conexas no país", disse o seu presidente, Musa Bility.

Até 23 de julho, segundo a OMS, o Ébola tinha matado 129 pessoas, das 249 assinaladas na Libéria desde o início do ano.

O balanço não inclui o liberiano falecido em 25 de julho na Nigéria, Patrick Sawyer, um funcionário do Ministério das Finanças liberiano.

Entretanto, um médico norte-americano, Kent Brantly, que contraiu o vírus na Libéria, onde tratava doentes que tinham contraído o Ébola, está "fraco e verdadeiramente doente", disse à agência noticiosa AFP um dos seus amigos, David Mcray, médico no Estado do Texas.

Segundo os médicos que o estão a tratar em Monrovia, o estado de Brantly, que trabalhava para a associação de solidariedade cristã Samaritan Purse, está estável.

Um médico canadiano, que trabalhava com ele na Libéria, Azaria Marthyman, foi colocado em quarentena, quando regressou ao Canadá no sábado, depois de um mês no terreno, se bem que não presnete sintomas, indicou aquela organização não-governamental.

A Serra Leoa, qualificada pelos especialistas como "o novo epicentro da epidemia", com 525 casos, dos quais 224 mortais, segundo a OMS, anunciou na terça-feira o falecimento do médico responsável do centro de tratamento anti Ébola em Kenema, no leste do país, uma das regiões mais afetadas.

"O Dr. Omar Khan, morreu às 14:00" locais (15:00 de Lisboa), disse à AFP o chefe dos serviços de saúde, Brima Kargbo.

O vírus Ébola transmite-se por contato direto com o sangue, os líquidos biológicos ou os tecidos de pessoas ou animais infetados.

A febre que provoca manifesta-se por hemorragia, vómitos e diarreia. A sua taxa de mortalidade está situada entre 25% a 90% no homem e não há vacina homologada.

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