Crianças na Somália têm menos de 40 por cento de hipóteses de sobreviver

As crianças afectadas pela fome na Somália têm menos de 40 por cento de hipóteses de sobreviver, disse hoje a directora do Programa Alimentar Mundial (PAM), considerando tratar-se da pior situação a que já assistiu.

"O nosso principal motivo de inquietação são as crianças. Queremos chegar às crianças, que estão de tal maneira fracas e em estado de desnutrição tão avançada, que têm poucas hipóteses - menos de 40 por cento - de sobrevivência. É a pior situação a que já assisti", disse Josette Sheeran.

A directora do PAM falava durante a conferência de imprensa que se seguiu a reunião ministerial convocada pelo Fundo das Nações Unidas Para a Alimentação e Agricultura (FAO). Josette Sheeran explicou que durante uma recente visita à região foi confrontada com testemunhos de mães, que na tentativa de fugirem da fome para países vizinhos, tiveram que deixar os filhos pelo caminho.

A directora do PAM disse ainda que já foi possível fazer chegar ajuda humanitária a 1,5 milhões de pessoas o programa das Nações Unidas atende diariamente cerca de 300 pessoas em Mogadíscio, capital da Somália.

O PAM deverá fazer na terça-feira uma ponte aérea com Mogadíscio, na Somália, com o objectivo prioritário de distribuir suplementos alimentares que não precisam de ser diluídos em água que lhes permitirão recuperar algumas forças, explicou. "É preciso salvar vidas, não é uma questão política, é a humanidade que deve juntar-se para salvar vidas", disse. Josette Sheeran adiantou que o problema da fome que afecta a denominada região do Corno de África se agravou com "a seca épica que fustiga uma população debilitada", que resultou na subida dos preços dos alimentos. Tudo isto agravado pela inacessibilidade das organizações internacionais às populações das zonas em conflito.

Por seu lado, o director-geral cessante da FAO, Jacques Diouf, lamentou que parte da ajuda ao desenvolvimento que os países destinam à agricultura se tenha reduzido nos últimos anos de 18 para os actuais 6 por cento. Diouf explicou que a reunião ministerial de urgência dos 191 membros da FAO convocada para hoje tinha como objectivo preparar a conferência de doadores que decorrerá na quarta-feira em Nairobi, Quénia e não avançar números relativos ao dinheiro necessário para fazer face a crise alimentar. Ainda assim, Diouf indicou que serão necessários 1,6 mil milhões nos próximos 12 meses e 300 milhões de dólares nos próximos dois meses para acudir à crise alimentar provocada pela seca na denominada região do Corno de África. Serão ainda necessários 120 milhões de dólares para a agricultura, 70 milhões dos quais terão que ser disponibilizados "imediatamente".

A reunião de hoje em Roma foi convocada pela FAO a pedido da França, que preside actualmente ao G20. A seca, que atinge actualmente no Corno de África, a pior em 60 anos, ameaça 12 milhões de pessoas na Somália, onde o estado de fome foi declarado em duas regiões, no Quénia, na Etiópia, no Djibuti, no Sudão e no Uganda.

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