Charles Taylor ausentou-se do próprio julgamento

O antigo Presidente da Libéria, Charles Taylor, ausentou-se hoje do próprio julgamento, no Tribunal especial para a Serra Leoa (TSSL, sigla em francês), em Haia, na Holanda, por "precisar de descansar". O seu advogado também abandonou a sala de audiências.

Após uma pausa nos trabalhos, o ex-chefe de Estado não compareceu na sala do tribunal. "O acusado não se encontra na sala de audiência", constatou a juíza Teresa Doherty, que preside ao colectivo de juízes. Também o advogado de Charles Taylor abandonou esta manhã a sala de audiências, como forma de protesto contra a decisão dos juízes de não aceitar a entrega de um novo documento da defesa.

Taylor "disse que estava muito abalado e precisava de descansar", indicou uma responsável do tribunal, Claire Carlton-Hanciles. "O tribunal ordenou esta manhã que ele [Charles Taylor] permanecesse na sala de audiência", disse a juíza, sublinhando que o arguido "ignorou deliberadamente" a indicação. A juíza decidiu prosseguir a audiência mesmo na ausência do arguido.

O antigo Presidente da Libéria, de 62 anos, é acusado de ter fornecido armas e munições em troca de diamantes aos rebeldes da Frente Revolucionária Unida durante a guerra civil na Serra Leoa (1991-2001). É ainda acusado dos crimes de assassínio, violação, mutilação, escravatura sexual e utilização de crianças como soldados. O julgamento de Taylor, o primeiro chefe de Estado africano perseguido pela justiça internacional, teve início em Janeiro de 2008 na Holanda. O antigo governante liberiano declarou-se inocente. A sentença é aguardada para meados deste ano.

Uma das testemunhas mais mediáticas deste julgamento foi a modelo internacional Naomi Campbell. Em Agosto passado, Campbell confirmou perante o colectivo de juízes ter recebido diamantes da mão de dois desconhecidos depois de um jantar onde também esteve presente o ex-líder da Libéria, episódio que contou às pessoas que a acompanhavam.

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