Acordo põe fim à greve dos mineiros em Marikana

A greve dos mineiros da empresa produtora de platina Lonmin, em Marikana, que durava desde 10 de agosto e deu origem a mais de 40 mortes e várias dezenas de feridos, chegou ao fim na noite de terça-feira.

O anúncio foi feito pelos mediadores e representantes dos mineiros, os quais nos últimos dias estiveram envolvidos numa maratona negocial que só terminou perto das 22:00 de terça-feira (21:00 em Lisboa) com a assinatura de um acordo salarial.

O acordo contempla aumentos médios da ordem dos 22 por cento e beneficia todas as categorias profissionais. A Lonmin emprega 28.000 pessoas e é a terceira maior produtora do mundo de platina.

"Representantes dos trabalhadores informaram-nos esta noite [terça-feira] de que foi alcançado um acordo, o qual foi assinado por todas as partes. Os trabalhadores aceitaram a mais recente proposta da Lonmin e regressarão ao trabalho na quinta-feira, 20 de setembro", refere um comunicado da Comissão de Conciliação, Mediação e Arbitragem (CCMA na sua sigla original) do Ministério do Trabalho.

O comunicado é assinado por Nérine Kahn, que fez parte da equipa negocial. Kahn referiu que as "negociações foram duras, mas valeram a pena", tendo resultado num acordo abrangente, que prevê também um prémio especial de 2.000 rands (186 euros), a ser pago a todos os mineiros numa só vez logo que regressem ao trabalho.

Esta foi uma das mais violentas greves da História recente da África do Sul e provocou uma carga policial sobre os mineiros, a 16 de agosto, na qual as forças policiais abriram fogo contra os grevistas, matando 34 e ferindo 78.

Na semana que antecedeu a tragédia, outras 10 pessoas, duas das quais agentes da polícia, tinham sido mortas nas instalações e terrenos circundantes da mina de Marikana, aparentemente por grevistas que exigiam que todos os empregados paralisassem.

Os mineiros rejeitaram a intervenção do seu sindicato tradicional (NUM) e as negociações tiveram de ser estruturadas em torno de um novo modelo, que inclui representantes eleitos pelos grevistas, religiosos sob a bandeira do Conselho Sul-Africano das Igrejas e representantes do CCMA.

"Estas foram semanas difíceis e trágicas para todos os que pertencem à empresa, para as comunidades que residem em redor da mina e para os sul-africanos em geral", refere um comunicado emitido na noite de terça-feira por Simon Scott, diretor-executivo da empresa de platina.

A nota acrescenta que o acordo, e o consequente regresso ao trabalho, "é apenas um passo no longo e difícil processo que todos os afetados pelos acontecimentos de Marikana têm pela frente", mas "é essencial para garantir o futuro" das dezenas de milhares de empregados da empresa "e daqueles que dependem da Lonmin na região".

Pelo menos outras três grandes minas de platina e ouro paralisaram parcial ou totalmente nas últimas semanas em consequência da pressão exercida pelos mineiros da Lonmin, que pediram uma greve nacional de solidariedade com a sua luta.

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