Açores reiteram disponibilidade para transbordo de material químico

O presidente do Governo Regional dos Açores reiterou hoje a disponibilidade da região para ser feito num porto açoriano o transbordo de material químico proveniente da Síria "respeitadas as questões de segurança e da legalidade internacional".

"O Governo dos Açores foi consultado sobre este processo e a posição do Governo dos Açores é aquela que na altura tive oportunidade de tornar pública. Nestas matérias de compromissos internacionais do nosso país, respeitadas as questões da segurança e da legalidade internacional, a solidariedade nacional é assumida e praticada pelos Açores em relação ao resto do país", afirmou Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada.

Vasco Cordeiro respondia a questões dos jornalistas a propósito do encontro na quarta-feira entre o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, em Washington, com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tendo o governante português afirmado que Portugal cederá um porto nos Açores para transbordo de material químico proveniente da Síria caso os Estados Unidos sigam esta opção.

"Estamos dispostos, em cumprimento da solidariedade internacional", disse Machete à agência Lusa, explicando que a decisão resulta "de um mandado do Conselho de Segurança das Nações unidas, que tem a colaboração ativa da Rússia, da China, dos países da União Europeia e dos Estados Unidos."

Vasco Cordeiro disse não ter mais a acrescentar ao que disse inicialmente sobre esta matéria e voltou a sublinhar que para o executivo regional "é essencial a questão da segurança, da legitimidade internacional, que está assegurada".

"A operação decorre ao abrigo de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas e naturalmente que neste momento nada mais há a referir sobre este assunto, pelo menos da nossa parte", disse ainda.

À saída do encontro com John Kerry, Machete confirmou que a matéria "foi analisada, mas não especificamente" e que Portugal está disponível.

"Nos termos em que inicialmente pusemos à disposição a possibilidade do transbordo das armas químicas ser feito num porto português, neste caso nos Açores, se vier a ser necessário, e dentro das mesmas condições ou condições similares", acrescentou.

As autoridades norte-americanas contactaram este mês Portugal para avaliar a possibilidade de realizar o transbordo de material químico proveniente da Síria num porto nos Açores. Segundo disse então Vasco Cordeiro, a acontecer nos Açores, seria usado o porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira.

Outro dos países contactados foi Itália, que no dia 16 revelou que o porto de Gioia Tauro, na região da Calábria, foi o escolhido para a operação.

Rui Machete disse ainda ter tido "uma conversa muito positiva" com John Kerry sobre o futuro da Base das Lajes, também na ilha Terceira, embora tenha admitido que a margem de negociação é limitada, mas "dentro dessa limitação, foi uma conversa muito positiva".

Vasco Cordeiro considerou que foi "um encontro importante" que "se insere num aspeto considerado essencial pelo Governo dos Açores desde o início".

"Esta questão tem de ser colocada no âmbito diplomático, naquele que é o respeito e a dignificação que os Estados Unidos fazem desta relação dioplomática histórica que têm com Portugal", disse.

Vasco Cordeiro disse não ter ainda falado com Machete "tendo em conta a diferença horária", mas disse estar convicto de que haverá "um contacto nos próximos dias".

"Aliás, a articulação entre os governos dos Açores e da República nesta matéria tem sido, neste caso concreto desta visita foi total", sublinhou Vasco Cordeiro, lembrando que reuniu, inclusive, com o ministro dos Negócios Estrangeiros antes do encontro de quarta-feira.

APE (AYS) // MP

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