39 pessoas executadas na Arábia Saudita desde o início do ano

Amnistia Internacional denuncia ritmo sem precedentes de aplicação da pena de morte no país.

A Arábia Saudita decapitou hoje mais uma pessoa, a 39.ª execução desde o início de 2015, acentuando o que a Amnistia Internacional denuncia como um ritmo sem precedentes de aplicação da pena de morte no país.

Manie bin Ali bin Muhsin al-Gahtani, decapitado hoje em Abha (sul), foi condenado pelo assassínio a tiro de outro homem, segundo um comunicado do Ministério do Interior citado pela agência oficial saudita.

Segundo uma contagem feita pela agência France Presse, a morte de al-Gahtani foi a 39.ª execução deste ano na Arábia Saudita, mais do triplo do número de execuções contabilizadas nas primeiras semanas de 2014.

Entre 01 de janeiro e 26 de fevereiro de 2014, a organização internacional de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional registou 11 execuções. No mesmo período de 2013 foram 17 e, em 2012, nove.

Um ritmo "verdadeiramente sem precedentes", disse Sevag Kechichian, da Amnistia, à agência.

Desde 2011, o reino saudita realiza cerca de 80 execuções por ano. Em 2014, segundo a contagem da France Presse, foram 87.

Os crimes de homicídio, tráfico de droga, violação, apostasia e assalto à mão armada são puníveis com a pena de morte na Arábia Saudita, país ultraconservador que aplica uma versão rígida da lei islâmica (sharia).

As autoridades sustentam que a pena de morte permite "manter a segurança e realizar a justiça", mas as organizações de direitos humanos manifestam fortes dúvidas quanto à imparcialidade da justiça saudita.

O relator especial da ONU para as execuções arbitrárias e extrajudiciais, Christof Heyns, afirmou em setembro passado que os julgamentos no país são "verdadeiramente injustos", que frequentemente os acusados não têm advogados e que muitas vezes as condenações assentam em confissões obtidas através de tortura.

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