Zeinal Bava: jovem gestor que vai à luta e ganha sempre

Um dos gestores de maior sucesso dentro e fora de Portugal. Para tal conta a postura de "alguém que vai à luta e ganha", sempre focado no trabalho e nos resultados.

Foi o homem do ano em 2006, quando se tornou um dos principais resistentes à OPA (oferta pública de aquisição) lançada pela Sonae sobre a Portugal Telecom (PT). E continua a ser o gestor do momento por causa da resistência à investida da espanhola Telefónica para comprar os 50% da PT da brasileira Vivo. Zeinal só cedeu quando conseguiu um negócio ainda melhor: vender a Vivo por 7,5 mil milhões de euros e em troca receber 25,6% da brasileira Oi, por 3,6 mil milhões de euros. A consequência foi a distribuição de um dividendo extraordinário aos seus accionistas e manter a PT com uma posição estratégica num mercado relevante como é o brasileiro. O feito valeu-lhe elogios dos media de referência internacionais - Financial Times, El País, 5 Dias.

Conhecido pelo seu carácter aguerrido, juntamente com uma sólida e conceituada experiência na área financeira, Zeinal Bava, hoje com 46 anos, inscreveu na história da PT não só este feito como o de ter matado a OPA da Sonae com Henrique Grandeiro chairman do grupo.

Zeinal Abedin Mohamed Bava nasceu em Lourenço Marques (Maputo), em Moçambique, numa família de comerciantes. É muçulmano. Depois do 25 de Abril, aos 14 anos, foi estudar Engenharia Electrónica, na University College of London, seguindo-se Gestão na Universidade Nova de Lisboa. Hoje, casado e com três filhos rapazes, só tem pena que a gestão não deixe mais tempo para a família.

Zeinal Bava foi director executivo da Deutsche Morgan Grenfell (96-98), da Warburg Dillon Read (89-96) e da Merrill Lynch. Entrou na PT em 1999, com Eduardo Martins e foi administrador da PT aos 33 anos e presidente executivo aos 42.

Já depois da OPA Zeinal Bava abriu nova guerra, nomeadamente contra Rodrigo Costa por causa da disputa de quadros, alguns tendo integrado o projecto de televisão por subscrição Meo, numa operação arriscada e em contraciclo, mas que passados 32 meses é um sucesso com 30% de quota de mercado.

Da autoria de Zeinal Bava é também a concepção de um pacote de remuneração accionista, bem como ter convencido um grande fundo internacional a abster-se na assembleia para desbloquear os estatutos da PT na OPA da Sonae. Esta foi uma estratégia que confirma a reputação de gestor financeiro fora de Portugal - "cumpre sempre o que promete", dizem fontes próximas.

Cinco anos volvidos, Zeinal Bava volta a estar sob os holofotes por causa do negócio da Oi, que, segundo o próprio, será "uma referência a nível mundial. Estamos no Brasil para ficar por mais 500 anos. Mudámos de caminho mas não mudámos de direcção. Estamos empenhados nesta parceria e seremos o accionista de base tecnológica que, acreditamos, pode vir a fortalecer uma empresa já líder, criando uma plataforma única para crescimento internacional com benefícios para a sociedade, accionistas, colaboradores e clientes."

Esta é a sua mais recente promessa, que será cumprida e sem grande alarido, mais um sinais da sua marca enquanto gestor e que muito contou para as diversas distinções. A mais recente: eleito pela Thomson Reuters como 6.º melhor CEO da Europa em todos os sectores e 2.º melhor nas telecomunicações. O CEO da PT subiu onze posições em relação a 2010 (17.º), ultrapassando o seu antigo rival César Alierta, CEO da Telefónica.

Para Zeinal Bava e para a Portugal Telecom os desafios para os próximos anos estão bem definidos: contrariar as limitações de crescimento no mercado nacional, chegar aos 100 milhões de clientes (hoje são 88 milhões) e ter dois terços do negócio fora de Portugal. A Com uma vantagem: até 2013, garante Zeinal Bava, a PT não precisa de se financiar para crescer.

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