Um 'rapper' que esgotou as suas capacidades

Mike Skinner tinha apenas 24 anos quando ganhou o estatuto de grande escritor de canções que relatam com um olhar minucioso e crítico as maiores banalidades da rotina diária de um jovem dos subúrbios de Londres. Hoje, com 32 anos, casado e com uma filha, decide colocar um ponto final no projecto que lhe deu fama: The Streets. Em vista está a realização de um filme com o rapper Ted Mayhem: "A ideia é sentir-me como quando comecei com os The Streets, quando não sabia o que é que era possível de ser feito", contou na sua última entrevista, ao The Guardian.

O concerto final está marcado já para o próximo dia 15 em Oslo e desde o início deste ano que também encerrou todas as actividades no seu site oficial, onde se encontra um anúncio com uma mensagem que não dá margem para dúvidas: "Closed" (fechado). O tema com que encerra este quinto disco de originais, o recentemente editado Computers and Blues, revela bem as intenções do músico: "I'm packing up my desk I've put it into boxes. Knock out the lights, lock the locks and leave" (Estou a arrumar a secretária e a guardar tudo em caixas. Apago as luzes, tranco as fechaduras e vou--me embora), canta no final.

Quando se estreou em 2002 com Original Pirate Material mudou o curso da música pop. Não só pelo realismo das histórias que cantava com um sotaque britânico cerrado mas pela produção caseira que reflecte, como poucos, o que de mais revigorante se fazia então nas várias franjas da música de dança e no hip hop do Reino Unido. Na altura, o Guardian chegou mesmo a escrever que Mike Skinner "foi o primeiro a demonstrar que um rapper britânico podia falar para todo o público nacional numa voz completamente sua".

Inesperadamente torna-se um nome de sucesso, que ganhou uma dimensão ainda maior com o segundo álbum, A Grand Don't Come for Free (2004), considerado ainda hoje por muitos como a sua grande obra- -prima, muito pela sua vertente conceptual.

A forma como a fama pop alterou as suas rotinas deu mesmo origem ao terceiro disco, The Hardest Way To Make An Easy Living (2006), cantando histórias sobre o amor entre famosos, drogas, caos e tendências suicidas.

Depois de Everything Is Borrowed (2008) anunciou que o quinto disco seria o último da sua carreira. "Já faço isto há dez anos e sempre tentei fazer algo diferente em cada álbum. Esgotei as minhas capacidades", referiu a propósito do fim dos The Streets.

Paralelamente à edição deste Computers and Blues lançou na Internet a mixtape Cyberspace and Reds e será esse o meio que vai utilizar para mostrar o seu primeiro filme, um thriller que se passa num hospital, mas que ainda não tem data de lançamento.

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