Um homem de negócios com queda para a aventura

Aos 16 anos montou o seu primeiro negócio e aos 20 lançou as bases de um império que o tornou num dos homens mais ricos do Reino Unido. Esta semana, o patrão da 'Virgin' apanhou um susto.

Em 1985 Richard Branson tentava bater o recorde na travessia do Atlântico quando o barco em que seguia se afundou. Pouco tempo depois, fez o mesmo percurso dentro de um balão de ar quente e a viagem quase terminou em tragédia. Aventureiro, o patrão da 'Virgin' acrescentou esta semana mais um item à sua longa lista de sustos, desta vez por razões bem diferentes. Na passada terça-feira, a passagem do furacão Irene pelas Caraíbas deixou em cinzas a casa do empresário em Necker, a sua ilha privada. "Fiquei aterrorizado porque a minha filha, os meus sobrinhos e amigos estavam todos a dormir lá", explicou o magnata à imprensa britânica.

A imensa fortuna que lhe permitiu comprar Necker começou a ser amealhada quando ainda era apenas adolescente. Richard Branson tinha 16 anos quando entrou no mundo dos negócios. Não havia nenhuma revista nacional escrita por estudantes e para estudantes, por isso Branson decidiu fundar uma. Só para a primeira edição da Student conseguiu angariar oito mil dólares (5600 euros) em publicidade e imprimir 50 mil exemplares.

Apenas quatro anos depois fundava a Virgin Records. A editora discográfica foi a base de um império que hoje conta com mais de duzentas empresas espalhadas por 30 países e que actuam nas mais diversas áreas de negócio, desde o turismo à saúde e até aos voos espaciais.

O primeiro grande sucesso da Virgin Records chegou com o lançamento do disco Tubular Bells, do artista Mike Oldfield. Depois deste bestseller, "êxito" transformou-se na palavra mais repetida pela Virgin, que começou então a trabalhar com bandas como Sex Pistols, Genesis, Peter Gabriel, Simple Minds ou The Rolling Stones.

Durante os anos 80, a empresa passou a estar cotada na bolsa, mas o estilo de Branson não se adequava ao comportamento esperado pela finança britânica. Assim, o multimilionário decidiu recuperar a sua empresa, mas para pagar aos accionistas teve de vender a Virgin Records em 1992.

No final da década de noventa, o empresário recebeu o título de cavaleiro pelos "serviços ao mundo dos negócios", passando então a ser oficialmente tratado por Sir Richard Branson

Filho de um advogado e neto de um conhecido juiz, Branson, que nasceu em 1950 em Blackheath, no Sul de Londres, nunca foi um bom aluno, mas isso não o impediu de ser bem sucedido no mundo empresarial. O nome 'Virgin' foi-lhe sugerido por um dos seus primeiros empregados, por serem todos novos nos negócios.

Mais velho de quatro irmãos, casado e pai de dois filhos, tem ao longo dos anos demonstrado interesse por assuntos de cariz humanitário. Durante os anos 90, Branson e o músico Peter Gabriel discutiram com Nelson Mandela a possibilidade de criar um grupo de líderes sem interesses pessoais que discutissem soluções para os conflitos mundiais. Foi desta forma que em 2007 nasceu The Elders, um grupo que inclui nomes como Kofi Annan ou Jimmy Carter e é presidido pelo arcebispo emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu.

Branson, que diz ter em Mandela uma fonte de inspiração, apadrinha ainda várias instituições de caridade, incluindo a Virgin Healthcare Founda- tion, responsável pelo lançamento de uma campanha de prevenção do VIH/ /sida em 1987.

Apesar dos sustos, nunca desistiu da aventura e em 1986, depois de uma primeira tentativa falhada, conseguiu viajar de barco desde Nova Iorque até ao Reino Unido em tempo recorde. Mais tarde, voltou a fazer o mesmo quando viajou pelo oceano Pacífico, desde o Japão até ao Canadá. O próximo desafio é bem menos radical: reconstruir aquilo que o furacão destruiu.

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