Um grupo que privilegia a liberdade

Desde que se estrearam em disco no ano passado que os portugueses RED Trio já passaram por palcos dos EUA, Alemanha, Polónia, Áustria, Holanda e Espanha. Esse primeiro álbum foi incluído na lista das melhores estreias do ano pela All About Jazz de Nova Iorque, além da distinção de melhor projecto ao vivo. A presença além-fronteiras tem sido constante e agora acabam de lançar um segundo álbum, Empire, gravado com o saxofonista britânico John Butcher e lançado pela editora lituana NoBusiness Records.

Junto desde 2007, o trio é formado por Rodrigo Pinheiro no piano, Gabriel Ferrandini na bateria e Hernâni Faustino no contrabaixo. Uma formação clássica na história do jazz, mas cuja música se afasta em tudo de paradigmas tradicionais: "O sentido de liberdade e a música do conjunto é mais importante que as partes que o constituem. É dessa confiança entre todos nós e das nossas capacidades e limitações que a nossa música nasce", explicou ao DN o pianista. Gabriel Ferrandini confirma esta ideia: "Não encontro em nenhum dos outros projectos este sentido de liberdade criativa. Foi no RED Trio que mais aprendi, a nível de amizade, de trabalho, tudo."

Já a ideia de formar o RED Trio partiu do contrabaixista Hernâni Faustino, que antes de se dedicar ao jazz chegou a estar ligado a bandas rock. "Fiquei farto daquela cena rock dos anos 80 e parei de tocar durante dez anos. Se calhar deu para criar uma certa distância do que se fazia...", lembrou. O grupo nasceu depois de um concerto no Hot Clube: "Conheci lá o Rodrigo e lembrei- -me de que adorava tocar com um pianista e formar um trio. Também conhecia há pouco tempo o Gabriel, que na altura tinha começado a ensaiar na Trem Azul, e lancei a ideia e começámos a tocar", contou. O primeiro álbum chegou no ano passado e graças a ele foram aclamados além-fronteiras. Esse trabalho no estrangeiro é algo "constante", como refere Rodrigo: "Foi muito complicado a nível de logística fazer a digressão que fizemos este ano, mas já tocámos em muitos sítios em Portugal e deixava de fazer sentido repetir os mesmos sítios, além de que as coisas não estão melhores."

A possibilidade de o trio gravar com John Butcher (conceituado saxofonista na área da música improvisada e que colabora no recente Died in the Wool de David Sylvian) surgiu em 2010: "Tivemos um convite para tocar na Culturgest e começámos logo a pensar na possibilidade de tocar com outro músico. Fizemos o convite ao John e ele aceitou." No entanto, devido a uma "confusão com as datas", o primeiro "embate" entre os músicos foi já no estúdio de gravação e só depois se seguiram os concertos, um deles em Vigo. "Foi uma experiência muito tensa, de confronto, e influenciou-nos muito", disse Gabriel.

Apesar de Empire ser bastante recente, o trio já tem gravado um novo álbum, feito com o trompetista Nate Wooley, e com edição prevista para Março de 2012.

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