Que futuro para o espectáculo?

Com as As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne, sob o signo de Steven Spielberg, está em jogo muito do futuro tecnológico e artístico, industrial e comercial, do 3D. As experiências negativas têm-se acumulado nos últimos dois anos, incluindo Confronto de Titãs, Thor e Lanterna Verde. O seu impacto negativo é de tal ordem que algumas personalidades centrais na dinâmica de Hollywood (incluindo Jeffrey Katzenberg, responsável pela animação da DreamWorks, e James Cameron, realizador de Avatar) vieram a público, chamando a atenção para a necessidade de elevar os padrões artísticos e também de não inflacionar o preço de bilhetes.

Neste contexto, o filme de Spielberg (juntamente com Hugo, de Martin Scorsese, também a lançar nos próximos meses) pode ser decisivo, não apenas para as três dimensões mas, em boa verdade, para todas as formas do espectáculo cinematográfico. Será que o 3D vai ficar reduzido a um gadget imposto pelos tecnocratas dos estúdios? Ou será utilizado como um novo e sedutor instrumento de trabalho?

Face às primeiras imagens de As Aventuras de Tintin, o mínimo que se pode dizer é que Spielberg não terá deixado os seus créditos por mãos alheias. E que, acima de tudo, em aliança com Peter Jackson (neste caso, como co-produtor), colocou muito alto a fasquia da exigência criativa. As imagens do seu Tintin conseguem, pelo menos, uma proeza até agora rara nos filmes em 3D: a de que é possível reinventar a composição do espaço e também, claro, as emoções a ela associadas.

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