Paulo Teixeira Pinto

Um homem do Presidente a credibilizar a causa real.

Monárquico desde que se conhece, Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do BCP aceitou o convite pessoal de D. Duarte Pio para liderar a Causa Real. Promete unir os monárquicos e tentar alterar o artigo da Constituição sobre a natureza do regime.

Depois de ter sido secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros nos governos de Cavaco Silva, na casa dos trinta anos, e, aos quarenta e poucos, ter passado de secretário-geral do BCP a presidente do maior grupo financeiro português. Resolvida a sua saída da presidência executiva do Millennium bcp, Teixeira Pinto esteve durante os últimos meses a reorganizar a sua vida profissional.

Remodelou o escritório, tornou-se consultor de várias empresas com interesses fora da banca e juntou-se a um importante escritório de advogados. Sem querer voltar a fazer política (pelo menos no PSD), resolveu voltar a abraçar uma das causas que mais o entusiasmam: a causa monárquica.

Quando, a meio deste mês, Paulo Teixeira Pinto resolveu ir como observador ao congresso anual da Causa Real (CR), em Santarém, mal sonhava que ia sair de lá como presidente dos monárquicos que pertencem à federação. A pedido pessoal de D. Duarte Pio de Bragança, chefe da Casa Real Portuguesa e herdeiro presuntivo do trono, o consultor de empresas aceitou o desafio e substituiu António de Sousa Cardoso, que liderava os monárquicos federados há nove anos. Com Teixeira Pinto, diz-se, abre-se um novo ciclo. O ciclo da credibilização da causa. E, por ser quem é, o ciclo da maior mediatização do tema em muitos anos.

Assumidamente monárquico e de direita (embora do PSD e com muitas preocupações sociais), Teixeira Pinto já começou a mexer na CR. A sua primeira iniciativa foi uma petição assinada por cidadãos monárquicos e republicanos para fazer do dia 1 de Fevereiro - que marca o regicídio, há cem anos - um dia de luto nacional pelas mortes do rei D. Carlos e do príncipe real D. Luís Filipe.

Mas o novo líder da CR não vai ficar por aqui. Ao DN, Paulo Teixeira Pinto assume que o seu principal objectivo é o de "unir todos os monárquicos à volta de um propósito". E, mais importante, tentar "pôr a Causa Real ao serviço da Casa Real". Ou seja, e traduzido por miúdos, Teixeira Pinto quer trazer alguma paz e concertação à volta do duque de Bragança.

Sendo uma personalidade polémica, mas agregadora, o novo líder da federação que reúne as várias associações reais quer "introduzir várias questões no debate cívico". Algumas delas acabarão por ter leitura política, outras acabarão por ser notícia. É o caso da vontade de suscitar numa próxima revisão constitucional a alteração do artigo respeitante à forma republicana de regime.

Paulo Teixeira Pinto explica: "Isso nunca devia ter ficado escrito na Constituição, eu fui a primeira pessoa a levantar a questão há uns anos e pretendo voltar a fazê-lo. Quando há uns anos falei com vários deputados apercebi-me da receptividade deles para alterar o limite da natureza republicana de regime para natureza democrática de regime. Hoje há muitos mais adeptos desta solução."

Figura que integra o círculo cavaquista mais restrito do PSD, o presidente da CR traz também uma nova atitude perante a república e as suas instituições. "Sempre votei em eleições presidenciais e não vou deixar de o fazer", diz ao DN aquele que foi um dos primeiros defensores da candidatura de Aníbal Cavaco Silva à Presidência da República, mesmo durante a chamada "travessia do deserto" que o actual Chefe do Estado fez entre 1995 e 2005.

Contradição? Paulo Teixeira Pinto não acha: "Considero que todos os PR eleitos, desde o general Ramalho Eanes, foram dignos no seu papel, com as suas diferenças desempenharam a função com dignidade." E quanto a Cavaco Silva, de quem sempre foi muito próximo, portanto suspeito? "Tem sido um excelente Presidente da República e, nesse sentido, tem correspondido minhas expectativas. É exemplar, com muito sentido de Estado."

D. Duarte Pio gosta da nova atitude que a CR pode vir a ter. E lembra, em declarações ao DN, a importância das reais associações: "Há mais de dez mil filiados, o que quer dizer que o número de simpatizantes da causa é muito maior." Mais: com- parando com os partidos políticos, o número de votos e os filiados que têm, D. Duarte estima que é de "cem por um. Há cerca de trinta por cento dos portugueses que acham que um rei seria melhor do que um presidente, isso são três milhões de pessoas". Um enorme capital, político e não só, à disposição da Causa Real?

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