O ano em que Portugal pediu ajuda externa pela 3.ª vez

A história vai registar 2011 como o ano em que Portugal, atingido por uma grave crise económica e financeira, foi obrigado a pedir ajuda externa pela terceira vez em pouco mais de 30 anos.

Passavam pouco mais de três meses desde o início do ano quando o Estado tentou colocar dívida com maturidade a seis e 12 meses, pagando quase 6 por cento para a colocação com maturidade de um ano. Durante a tarde, o então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, anunciava em resposta a perguntas do Jornal de Negócios, que Portugal teria de pedir ajuda financeira.

"O país foi irresponsavelmente empurrado para uma situação muito difícil nos mercados financeiros. Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à atual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais", dizia o ex-ministro das Finanças, depois de, durante muitos meses, o Governo sempre ter negado esta opção.

O dia não terminaria, no entanto, sem um anúncio formal do então primeiro-ministro, José Sócrates, de que iria endereçar formalmente esse pedido às autoridades internacionais.

"O Governo decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de financiamento", disse José Sócrates numa declaração ao país a partir da residência oficial em São Bento, com Teixeira dos Santos ao seu lado, mas sem dizer uma palavra.

A razão, defendeu o primeiro-ministro, terá sido a aprovação no Parlamento de moções de rejeição à atualização do Programa de Estabilidade e Crescimento por todos os partidos da oposição, a 23 de março, que motivaram também o pedido de demissão de José Sócrates.

Com o pedido de ajuda formalmente endereçado, as equipas da chamada 'troika' -- Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia -- aterraram em Lisboa para negociar um programa de ajustamento, que foi assinado ainda com José Sócrates no poder. Além do apoio do PS, o acordo foi igualmente subscrito por PSD e CDS-PP. Bloco de Esquerda e PCP não só não subscreveram o acordo como recusaram qualquer reunião com os representantes da 'troika'.

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