Nora Ephron

Uma das 25 mulheres mais poderosas dos EUA.

Uma das 25 mulheres mais poderosas dos EUA usa o absurdo como truque para enfrentar o envelhecimento e revela ódios e obsessões num best-seller que agora chega a Portugal. Sem segredos.

O cálculo não é fácil. A quantos capuccinos equivale a renda de um apartamento num edifício lendário de Nova Iorque? Façam-se as contas e chega-se a quatro capuccinos diários durante 56 anos. Deixem-se de os beber e poupa-se o valor da renda. Fácil e sem culpas. Assim se amortiza um apartamento de luxo. Outra questão. Contas menos difíceis: quantas horas por ano e dias de uma vida custa secar o cabelo? Mais íntimo: o que revela de uma mulher o interior de uma mala? Ainda: qual a relação entre o tempo gasto com cuidados de beleza e o número de horas de sexo? Resposta: tudo depende da idade. Quanto mais se avança nos anos mais são as horas gastas para ficar apresentável e menos os minutos de prazer sexual... Se ainda houver sexo.

Chegar "a uma certa idade" é avaliar estas e outras angústias, pesá-las na balança e chegar à conclusão de que "não há segredos". "Não há segredos" para envelhecer bem e uma das vantagens de morrer é não ter mais de se preocupar em secar o cabelo. Tanto a insistência quanto a nota de esperança são de Nora Ephron, uma das 25 mulheres mais poderosas dos Estados Unidos, segundo a revista Biography. Mas essas são coisas que só se descobrem quando se chega "a uma certa idade".

Nora Ephron tem 66 anos. Argumentista, realizadora, ex-jornalista, ex-mulher de Carl Berstein (um dos jornalistas do Watergate) escreveu um livro sobre o envelhecimento, um pouco ao jeito de o Sexo e a Cidade no humor, no sarcasmo, no absurdo, mas sem ficção. Chamou-lhe Não Gosto do meu Pescoço e outros Humores, Achaques e Amores da Vida das Mulheres (Casa das Letras). É um conjunto de crónicas onde aquela mulher "de certa idade" - para usar uma expressão antiga - questiona o envelhecimento. No caso, o envelhecimento das mulheres que, como ela, vivem em Nova Iorque.

"De vez em quando leio um livro sobre envelhecimento e seja quem for o autor diz sempre que é magnífico ser velho. É magnífico ser sensato, sábio e sagaz; é magnífico estar naquela fase da vida em que se compreende o que é realmente importante. Não suporto pessoas que dizem coisas deste tipo. Em que é que estão a pensar? Não têm pescoço?!"

O pescoço é revelador, transparente em relação à idade e começa a cair a partir dos 43 anos. Não há creme, não há milagre. "Podemos usar maquilhagem no rosto, corrector por baixo dos olhos e pintar o cabelo, injectar colagénio, botox e restylane nas rugas e sulcos, mas, sem chegar à cirurgia, não há nada que possamos fazer em relação ao pescoço. É um inimigo silencioso. Os nossos rostos são uma mentira e o pescoço é a verdade." Desistam de querer enganar ou então escondam o pescoço. Desviem-se de espelhos, usem gola alta e lamentem- -se de não terem passado mais horas a contemplar o pescoço antes da hecatombe."

São angústias e conselhos servidos com boa dose de cinismo e um ódio a malas de mão. Ainda a obsessão por cozinhados imitados, a paixão por Clinton (platónica) e uma má permanente que a afastou das atenções de John Kennedy quando trabalhou como assistente na Casa Branca, em 1961.

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