Michelle Obama

O "rochedo" na vida de Barack Obama.

Michelle Obama. Formada em Princeton e Harvard, a mulher do senador Barack Obama é apontada como a sua principal conselheira na corrida à Casa Branca. Nascida numa família pobre mas unida de Chicago, Michelle deu ao marido a estabilidade de que ele precisava. E hoje continua a chamar-lhe a atenção quando a fama lhe sobe à cabeça. Elegante e divertida, a advogada está a aprender a não dizer sempre o que pensa, mas garante: "Não posso ser quem não sou".

Quando conheceu Barack Obama, em 1989, Michelle Robinson era uma bem-sucedida advogada saída de Harvard. Talvez por isso não tenha prestado atenção aos boatos que corriam nos escritórios da Sidley&Austin em Chicago sobre o estagiário brilhante vindo do Havai. E nem quando foi escolhida para sua orientadora sucumbiu ao charme exótico deste filho de um queniano e de uma americana do Kansas. Só ao segundo convite para sair aceitou conhecer as pessoas que Obama ajudava nos bairros pobres da cidade. Um discurso do subordinado acabou de a convencer de que "ele era realmente diferente". Hoje, após 15 anos de casamento, há quem diga que ela continua a ser a "chefe" ou, pelo menos, a principal conselheira do senador e candidato à Casa Branca.

Barack prefere chamar-lhe "o rochedo". Para o senador do Ilinóis, a mulher é quem o chama à Terra quando a loucura da campanha - aplausos, multidões, autógrafos - lhe começa a subir à cabeça. Como? Recordando-lhe que não pode faltar ao recital de ballet de uma das filhas ou à reunião com a professora da outra.

Mas isso não significa que Michelle não esteja de corpo e alma com o marido. Competitiva por natureza, a advogada já repetiu várias vezes que é "agora ou nunca", rejeitando a ideia de que ainda é cedo para um negro chegar à presidência dos EUA e que a campanha de Obama seria uma espécie de antevisão de uma nova candidatura dentro de oito ou 12 anos. "Precisamos de grandes mudanças já. Quando penso no país que quero dar às minhas filhas, vejo que não é o que temos", disse Michelle à revista Vanity Fair após um comício no New Hampshire, em Janeiro.

De tal forma está empenhada na vitória do marido que Michelle decidiu fazer uma pausa na carreira para se dedicar à campanha. E desde então não parou. Ohio e Texas, que realizam a 4 de Março umas primárias decisivas para os democratas, tornaram-se a sua segunda casa. Mas esta mãe de família recusa passar mais de uma noite longe das filhas.

Com nove e sete anos, Malia e Sasha são a prioridade de Michelle. Foi por elas que recusou mudar-se para Washington quando o marido se tornou senador, em 2004, e é o seu bem-estar que a preocupa quando pensa na Casa Branca. "Não haverá outras tarefas enquanto Malia e Sasha não estiverem instaladas e felizes", garantiu Michelle à revista Newsweek.

Filha de uma dona de casa que gostava de preparar lanches para os seus colegas de escola e de um funcionário público que a esclerose múltipla afastara do departamento de águas da Câmara de Chicago, Michelle cresceu numa família pobre mas unida. Os Robinson viviam num pequeno apartamento a poucos metros da mansão de 1,65 milhões de dólares que a filha viria a comprar quando já era uma advogada de sucesso casada com um senador dos EUA.

Confiante e descontraída, a jovem Michelle teve alguns problemas em lidar com um irmão estrela do básquete, cujo talento para o desporto lhe deu entrada directa na Universidade de Princeton. Para Michelle foi tudo mais difícil. Mas conseguiu. Uma vez lá, sentiu a tensão racial de uma forma que a marcou tanto que acabou por se transformar na sua tese de licenciatura em Sociologia: Negros Formados em Princeton e a Comunidade Negra.

Com um carácter forte, Michelle costumava ser alvo das brincadeiras da família por deixar todos os namorados. E para os seus pais e irmão, Obama era mais um. "Só conseguia pensar: será que o pobre rapaz aguenta?", admitiu à Newsweek Craig Robinson, o irmão de Michelle, treinador da equipa de básquete da Universidade de Brown. Mas aguentou. Talvez por ele e Michelle serem tão diferentes que se completam. Ele trouxe-lhe frescura e ela deu-lhe a estabilidade que faltava a este filho de um queniano e uma americana que se separaram quando ele tinha dois anos.

Mais tarde, quando decidiu trocar a carreira num escritório de advogados pelo trabalho de beneficência com jovens do South Side de Chicago, onde nascera, Michelle teve o apoio do marido. Mas a opção mergulhou o casal numa crise financeira que só se resolveu em 2003, quando o livro de Obama A Audácia da Esperança (Casa das Letras) se tornou num best-seller.

Dona de um grande sentido de humor, esta mulher de 44 anos e porte atlético está a aprender que nem sempre pode dizer o que pensa. Impressas, as suas tentativas para humanizar o marido - que diz ressonar e ter mau hálito pela manhã - punham em causa o charme com que o senador conta para seduzir os eleitores. Apesar de ter dito que admirava Hillary Clinton, Michelle não hesitou em afirmar, já na campanha, que "quem não sabe gerir a própria casa não pode gerir a Casa Branca". Uma insinuação que todos relacionaram com os problemas conjugais dos Clinton.

A última gaffe de Michelle ocorreu há dias no Wisconsin, onde garantiu: "Pela primeira vez sinto orgulho no meu país." Palavras que geraram controvérsia, mas que Michelle diz terem sido tiradas do contexto. E garante que se chegar à Casa Branca vai continuar a ser sincera: "Não posso ser quem não sou", garante.

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