Jerry Bruckheimer

O homem forte de Hollywood

No final de cada episódio de CSI, CSI: Miami ou CSI: Nova Iorque aparece o nome de um dos maiores produtores norte-americanos: Jerry Bruckheimer. Ainda com 8 anos, este filho de imigrantes judeus alemães não brincava como as outras crianças. Em vez de jogar na equipa de basebol do seu bairro, em Detroit, Bruckheimer criou a sua própria equipa, arranjou os jogadores e conseguiu até patrocínios e equipamentos.

O homem forte de Hollywood já tinha as qualidades para ser um produtor. "Sempre tive jeito para organizar e fazer com que as coisas funcionassem. Como não era bom atleta, criei uma equipa de basebol para poder jogar nela, e depois uma de hóquei", contou.

Os Bruckheimer foram para os Estados Unidos nos anos 20. O pai tinha uma loja de roupa e a mãe dividia o tempo entre as tarefas domésticas e os trabalhos de contabilista. Jerome Leon Bruckheimer nasceu a 21 de Setembro, de 1945, em Detroit, nos EUA. Devido a uma ligeira dislexia, nunca foi um aluno brilhante. Aos seis anos descobriu a fotografia e começou a destacar-se. Chegou até a ganhar prémios. Formou-se em Psicologia na Universidade de Arizona e quando acabou o curso foi trabalhar em publicidade.

Com 20 e poucos anos, chamou a atenção da BBDO, uma das principais empresas de publicidade, com um anúncio para a marca de automóveis Pontiac, satirizando o filme Bonnie and Clyde. A empresa de Nova Iorque contratou-o. Quatro anos mais tarde, Jerry deixou um emprego estável e um bom salário para tentar a sua sorte no cinema. O primeiro trabalho foi como produtor associado no filme The Culpepper Cattle Co., em 1972. Três anos depois, deixou o "associado" e produziu o filme Farewell, My Lovely.

Quando se juntou a Don Simpson, a carreira disparou. Conheceu-o quando trabalhou no filme Flashdance, em 1983, e foi ao lado dele que produziu os êxitos: O Caça Polícias, que celebrizou Eddie Murphy, em 1984, e Top Gun - Ases Indomáveis e Dias de Tempestade, ambos com Tom Cruise. Simpson e Bruckheimer foram considerados os produtores mais importantes dos anos 90. Mas, em 1995, a parceria terminou, devido ao problema que Simpson tinha com as drogas. Uns meses depois, Simpson morreu.

Jerry sofreu, mas não desistiu. Em 1996, produziu O Rochedo com Sean Connery e Nicolas Cage, que fez 257 milhões de euros em receitas.
Em 2000, o antigo psicólogo lançou-se na televisão com CSI e, um ano depois, com o reality show The Amazing Race, que recebeu um Emmy em 2003. Apesar de todo o êxito, Jerry continua com medo de errar. "Não olho para trás e festejo. Estou sempre preocupado com o próximo desafio."

O Mr. Blockbuster, como é apelidado, foi considerado a 39.ª celebridade mais poderosa de 2007, segundo a revista Forbes. A sua fortuna está estimada em 88 milhões de euros e os três filmes Piratas das Caraíbas contribuíram para isso. O primeiro rendeu 479 milhões de euros, em 2003, e foi nomeado para cinco Óscares. O segundo - O Cofre do Homem Morto - bateu o recorde nos três primeiros dias em que estreou nos EUA, com 103 milhões de euros, e ganhou um Óscar pelos seus efeitos visuais. O último, Nos Confins do Mundo, lançado em Maio deste ano, não teve tantos lucros como o antecessor, mas conseguiu o segundo melhor fim-de-semana de estreia de sempre e ainda está no top dos filmes mais vistos em Portugal. Já este ano, o segundo filme da trilogia recebeu o prémio de melhor filme atribuído pela MTV. E foi Jerry, ao lado do actor Johnny Depp, que o foi receber.

Jerry Bruckheimer, de 61 anos, está habituado a vencer e explica o segredo do seu sucesso: "Não sei o que você gosta, o que gostam as audiências, apenas sei o que eu gosto de ver. E é isso que tento fazer."

Apesar de ser um perfeccionista e dormir cerca de quatro horas por noite, Jerry diz que coordenar as filmagens, gerir o dinheiro, ajudar a escolher os actores, o realizador ou o argumentista não é um verdadeiro trabalho. "O meu pai é que trabalhava, ficava entre 12 a 15 horas em pé a vender roupas. Isto não é trabalho, é diversão", diz.

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