O sossego indígena ameaçado

De repente, a ameaça. Três etnias indígenas na Bolívia vêem a sua cultura em risco. Em nome do progresso, uma estrada irá sobressaltar um sossegado domínio, o Parque Nacional e Território Indígena Isiboro Sécure. O projecto, do Governo de Evo Morales, é financiado pelo Brasil. Mas a contestação cresce de dia para dia. Milhares de pessoas começaram esta semana uma caminhada de protesto contra a obra.

O plano para a construção da estrada - destinada ao transporte de mercadorias entre a região de Beni e La Paz - foi apresentada em 1990. Desde essa altura, mais de novecentos abaixo-assinados surgiram, exigindo que o território seja respeitado e protegido. O parque indígena, conhecido como Tipnis, tem 1,2 milhões de hectares e uma das maiores reservas de água da América do Sul. A abertura da estrada, segundo a ambientalista Daniela Leyton, poderá contribuir para o desmantelamento de 600 mil hectares ao longo dos próximos 20 anos. Ao mesmo tempo, irá promover a colonização de terras em redor da via, "destruindo a biodiversidade e a cultura de três etnias indígenas".

Perante os protestos, o Brasil deixa um aviso: só libertará todas as verbas quando os bolivianos chegarem a um consenso sobre a estrada. "Não existe actividade humana que não tenha impacto ambiental. Nós acreditamos que isso gera crescimento económico e prosperidade", lembra Marcel Biato, embaixador do Brasil na Bolívia. "A questão agora é como construir um consenso democrático; não é unanimidade, que não existe em política, mas sim consenso", sublinha.

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