O segundo fracasso pós-25 de Abril

A baixa votação no PCP nas primeiras eleições em liberdade foi um pesadelo inesperado nos sonhos do revolucionário Álvaro Cunhal regressado de longo exílio a Portugal. Depois, o avanço do PS na Reforma Agrária e as sublevações populares generalizadas obrigaram o PCP a assumir a bandeira da Reforma Agrária com grande empenho. A derrota no Alentejo da proposta de "A terra a quem a trabalha" redundou no segundo grande fracasso das teses e da prática comunistas, enterradas definitivamente com a Lei Barreto.

Historicamente, o PCP sempre liderou na maior parte do século XX as lutas dos camponeses. As publicações do partido nessa área são muitas e o próprio Álvaro Cunhal dedicou vários volumes da sua obra teórica ao tema. Fosse na prisão ou no exílio, muitos dos seus estudos versaram a agricultura e o modo de exploração e de ser explorador e explorado. A própria emissão da Rádio Portugal Livre, do PCP, dedicava ao domingo uma edição especial aos camponeses, sobre os problemas da agricultura; o livro Rumo à Vitória tem bastante espaço sobre as mudanças no sistema de produção, nas relações trabalhistas e sobre o papel da lavoura na economia nacional e, com o regresso a Portugal após a revolução, Álvaro Cunhal fez questão de ser responsável pela secção de Agricultura do partido. Tendo falhado, a Reforma Agrária entrou para a história como o factor de mudança social no Alentejo e do papel de Cunhal nela pouco se fala.

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