O irredutível laranja contra Cavaco Silva

Foi líder da JSD por três anos. Em 2005 falhou a reeleição e foi perdendo protagonismo  na Jota e no partido. Esta semana fez-se notar  ao votar contra o apoio do PSD a Cavaco

Ao contrário do que alguns desejam e publicamente manifestam, a JSD não está em extinção." A profissão de fé no futuro da juventude laranja, feita em Maio de 2004, em pleno congresso do PSD, era do então líder da organização. Jorge Nuno Sá, assim se chamava o orador que, do púlpito de Oliveira de Azeméis, recusava meter a Jota na lista de objectos em vias de extinção - seis anos depois, é ele próprio que parece estar em perigo de extinção. Tendo dado o grito de um animal ferido em pleno Conselho Nacional do PSD. Motivo: foi o único conselheiro laranja a votar contra o apoio do partido à candidatura de Cavaco Silva.

Pesquisando na Internet, encontra-se pouco mais do que este grito. O próprio site da JSD, que ele liderou, omite no motor de pesquisa qualquer referência a Jorge Nuno Sá. Na página do PSD existe uma breve nota que o apresenta como membro do órgão de aconselhamento do partido.

Jorge Nuno Fernandes Traila Monteiro de Sá, nascido há 33 anos, esteve à frente da JSD por três anos, de 2002 a 2005. Neste ano perde a sua reeleição para Daniel Fangueiro, no congresso do Fundão, experimentando um regresso em 2008 como candidato a presidente da mesa na lista que acaba por ser derrotada para a candidatura de Pedro Rodrigues, o actual líder. De 2005 a 2007, acompanha o vereador social- -democrata Sérgio Lipari Pinto no gabinete deste na Câmara Municipal de Lisboa.

Apesar destes ensaios, fontes sociais-democratas, ouvidas pelo DN durante esta semana, registam a surpresa pelo "regresso" do antigo líder da JSD na reunião do Conselho Nacional, na segunda- -feira. E aí, na São Caetano à Lapa, Jorge Nuno Sá rompe com a unanimidade dos indefectíveis sociais-democratas da recandidatura de Cavaco Silva a Belém. Como adiantou o DN, o voto do antigo líder da Jota foi explicado com o que o Presidente da República fez ao PSD, primeiro, na campanha de 2005 - nomeadamente a proibição que Cavaco impôs ao partido em aparecer num cartaz eleitoral, ao lado de Santana Lopes -, e na campanha de 2009, com o conselheiro nacional a apontar o dedo ao caso das alegadas escutas em Belém que terão prejudicado a campanha de Manuela Ferreira Leite. Mas, sabe o DN, Jorge Nuno Sá nunca foi um cavaquista. No referido congresso do partido em que recusou a extinção da JSD, o então presidente da organização apontava o caminho social-democrata para as eleição presidenciais: o "perfil ganhador", um candidato minimalista, e para isso há "dois ou três militantes do PSD com excelentes condições para ganhar" a corrida a Belém. O nome de Cavaco não era pronunciado, mesmo que pudesse encaixar nos "dois ou três militantes".

O seu consulado na JSD também colide com o programa cavaquista: fez campanha pela despenalização do aborto e pediu um debate sobre as drogas nas cadeias. Estas duas causas fracturantes valeram-lhe críticas internas sobre o afastamento da realidade dos jovens. Nuno Gouveia, professor universitário, militante da organização, escrevia à época que "ao longo de quase dois anos à frente dos destinos da JSD não se conhecem quase ideias nenhumas sobre os vários problemas que actualmente afectam os jovens".

Passados estes anos, Jorge Sá, que foi deputado de 2002 a 2005 eleito por Viana do Castelo (ver caixa), volta à ribalta com o voto contra de Cavaco. No rescaldo da reunião, os jornalistas e os seus companheiros de partido foram confrontados com um dilema: o número de telefone que todos tinham já não estava "atribuído". Um problema com a operadora que levou Jorge Nuno Sá a trocar de empresa. Um irredutível.

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